tech & talk
Smart CitiesMercado27 de out. de 2026, 12:37

Data centers de IA viram pauta eleitoral nos EUA por conta de luz e água

Comunidades americanas de diferentes espectros políticos se uniram contra a construção acelerada de data centers de inteligência artificial, e o tema chegou às urnas dos midterms de 2026. A pergunta que fica: quem decide, quem paga e quem fiscaliza?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

Quem paga a conta da inteligência artificial?

Nos Estados Unidos, a corrida por data centers de inteligência artificial chegou a um ponto que todo cidadão brasileiro que já discutiu tarifa de água ou conta de luz vai reconhecer na hora: quando a infraestrutura cresce rápido demais e ninguém explica quem fiscaliza nem quem paga, a vizinhança revida. É o que está acontecendo às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms) de 2026, e o tema virou, segundo um memorando vazado do Comitê Republicano Nacional, "a sleeper issue" — um problema que ninguém viu chegar, mas que pode decidir eleições.

Energia, água e barulho: a lista de queixas é concreta

Foto: reprodução/kotatv.com

As reclamações não são abstratas. Em comunidades como Franklin County, na Virgínia, moradores já disseram em audiências públicas, sem meias palavras: "não queremos um data center neste condado". No nordeste da Pensilvânia, projetos chegam a ocupar centenas de acres e exigir energia equivalente ao consumo de centenas de milhares de casas — em Springdale, uma instalação de 47 acres foi proposta a cerca de 30 metros de residências. Some a isso data centers que consomem milhões de galões de água de refrigeração por dia, e o gerador a diesel zunindo ao lado da churrasqueira do vizinho, e dá para entender por que a paciência acabou.

No Ohio, o governador Mike DeWine suspendeu incentivos fiscais depois que o estado viu bilhões em receita tributária comprometidos por moratórias locais. Pesquisas citadas por diferentes veículos mostram que a maioria dos americanos — em alguns levantamentos, mais de 60% — não quer um data center no próprio bairro.

Foto: reprodução/thenationaldesk.com

Direita e esquerda, lado a lado contra o mesmo projeto

O que chama atenção de quem cobre cidade inteligente é a transversalidade: isso não é bandeira de um partido só. Eleitores republicanos e democratas estão do mesmo lado da barricada, incomodados com conta de luz mais cara e represamento de água. Em compensação, comitês democratas já gastaram milhões em anúncios acusando adversários republicanos de serem "amigos da indústria tech"; na Pensilvânia, o governador Josh Shapiro assinou uma ordem exigindo mais transparência energética das empresas. Em Ohio, candidatos a governador como Vivek Ramaswamy e Amy Acton já se posicionam sobre como regular o setor.

A pergunta que falta responder

Falta, nessa história toda, a pergunta que deveria abrir qualquer audiência pública: quanto essa infraestrutura custa para a cidade, quem decidiu aprovar o projeto e quem vai fiscalizar o consumo de água e energia depois que a obra terminar. Nos EUA, pelo visto, essa conta está chegando direto na urna.

data centersinteligência artificialmidterms 2026energiainfraestrutura
Compartilhar