tech & talk
Smart CitiesIA03 de nov. de 2026, 08:57

Data centers de IA viram tema de campanha na eleição a governador da Flórida

Moradores historicamente republicanos da Flórida estão reconsiderando o voto por causa do impacto local de data centers de IA na água e na conta de luz — um alerta que vale para qualquer cidade que negocie projetos do tipo.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

O que está em jogo

Na corrida para governador da Flórida (EUA), um tema que até pouco tempo passava longe dos discursos de campanha virou munição eleitoral: data centers de inteligência artificial. A oposição de moradores a esses projetos — motivada pelo consumo pesado de água e eletricidade e pelo possível aumento nas contas de luz locais — vem crescendo desde o início do ano e hoje é usada pelo candidato David Jolly, ex-deputado republicano que concorre pelo Partido Democrata, para atacar o republicano Byron Donalds.

Uma pesquisa do Public Opinion Research Lab da Universidade do Norte da Flórida, publicada em julho, mostrou que 68% dos entrevistados se opõem à instalação de um data center de IA perto de onde moram — um número alto para qualquer política de infraestrutura, inclusive em bases eleitorais tradicionalmente favoráveis a esse tipo de investimento.

Quanto custou e quem paga

Esse é exatamente o ponto central do embate. Donalds defende que a decisão sobre permitir ou não um data center é das prefeituras e comissões de condado, não do governador — mas promete, se eleito, duas garantias: que as contas de luz não vão subir por causa dos data centers, e que o uso de água fresca será protegido pelas regras já existentes de outorga. Jolly vai mais longe: promete decretar uma moratória para data centers de grande porte (hyperscale) já no primeiro dia de mandato, argumentando que o setor está avançando mais rápido do que a regulação.

Um detalhe chama atenção: empresas e desenvolvedores ligados a data centers já doaram mais de US$ 5 milhões à campanha de Donalds, o que levanta questionamento sobre o quanto essa relação influencia sua posição, que recuou visivelmente do entusiasmo inicial conforme a opinião pública mudou.

Por que isso serve de alerta ao Brasil

O caso da Flórida ilustra um padrão que tende a se repetir em qualquer lugar que receba um data center de grande porte: consumo intenso de água e energia, impacto potencial na conta de luz da vizinhança e disputa sobre quem decide — governo local, estadual ou federal — e quem fiscaliza o cumprimento de promessas. Discussões sobre data centers vêm crescendo também no Brasil, com projetos anunciados por grandes empresas de tecnologia em diferentes estados; o episódio americano é um retrato do tipo de pergunta que comunidades e autoridades locais deveriam fazer antes de aprovar incentivos: quanto o projeto vai consumir, quem paga a infraestrutura extra e que mecanismo garante que os moradores não vão arcar com a conta.

data centerseleiçõesenergiaágua
Compartilhar