
Data centers dos EUA vão queimar mais gás natural que Alemanha e Japão juntos
Projeção da consultoria de energia BloombergNEF aponta consumo de 18 bilhões de pés cúbicos de gás por dia até 2035, quase o dobro da estimativa feita nove meses atrás.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
18 bilhões de pés cúbicos de gás natural por dia. É o que os data centers americanos devem consumir até 2035, segundo levantamento da consultoria de energia BloombergNEF — volume suficiente para superar o consumo combinado de países como Alemanha e Japão, duas das maiores economias industriais do planeta. O dado é quase o dobro da própria projeção que a BloombergNEF havia feito apenas nove meses atrás, um sinal de como a corrida por infraestrutura de IA está acelerando mais rápido que qualquer modelo de energia consiga prever.
Onde vem essa demanda
A consultoria separa o consumo em duas frentes. Data centers com geração de energia própria no local devem consumir entre 2,9 e 3,4 bilhões de pés cúbicos por dia até 2035 — sozinho, esse volume já equivale a todo o consumo atual do setor. Já as instalações conectadas à rede elétrica tradicional vão puxar 15 bilhões de pés cúbicos adicionais por dia, um crescimento de demanda cinco vezes maior que o de todos os outros setores da economia americana somados. No total, o gás natural deve suprir 69% da energia de novas instalações conectadas à rede, puxado pelo baixo custo de produção nos EUA e pela capacidade das termelétricas a gás de ajustar a geração rapidamente conforme a demanda dos data centers, que operam 24 horas por dia.
O custo ambiental
Cada pé cúbico de gás natural queimado libera o equivalente a 60 gramas de dióxido de carbono. Multiplicado pela demanda projetada, o resultado é 1 milhão de toneladas métricas de poluição por dia — cerca de 12% de todas as emissões de gases-estufa dos Estados Unidos atualmente.
Quem ganha e quem perde
Ganham as produtoras de gás natural e operadoras de termelétricas nos EUA, além de gigantes de tecnologia como Meta, Microsoft, Google e Amazon, que já anunciaram planos próprios de usinas a gás para garantir energia às operações de IA sem depender só da rede pública. Perdem as metas climáticas dessas mesmas empresas, que vinham fazendo compromissos públicos de neutralidade de carbono, e perde também o consumidor final, que deve sentir pressão de preço na conta de energia à medida que a demanda de data centers compete por capacidade de rede com residências e indústrias tradicionais.