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Mercado13 de ago. de 2026, 19:16

Databricks queria US$ 1 bi, mercado ofereceu US$ 15 bi: fechou em US$ 5 bi

A gestora de dados e IA levantou US$ 5 bilhões a uma valuation de US$ 190 bilhões, cinco vezes mais do que planejava captar originalmente. O apetite dos investidores expõe tanto a força da Databricks quanto o tamanho da corrida por capital em IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 5 bilhões. Foi esse o valor que a Databricks fechou em uma nova rodada que elevou sua valuation para US$ 190 bilhões — mas o dado mais revelador não é o cheque final, e sim a distância entre o que a empresa queria e o que o mercado empurrou para cima da mesa. Segundo o CEO Ali Ghodsi, em entrevista ao TechCrunch, a intenção original era levantar apenas US$ 1 bilhão. Depois que a imprensa especializada noticiou que a Databricks estava articulando uma grande captação, o interesse de investidores disparou para US$ 15 bilhões em demanda. A empresa optou por um meio-termo: cinco vezes mais do que planejava, mas um terço do que poderia ter aceitado.

Por que o apetite foi tão grande

A resposta está nos números operacionais que sustentam a valuation. A Databricks ultrapassou US$ 7 bilhões em receita anualizada no segundo trimestre, crescendo mais de 80% ano contra ano. O braço de data warehouse na nuvem, carro-chefe histórico da companhia, já responde por US$ 1,5 bilhão em receita anualizada, com expansão de mais de 100% no período. E o Lakebase, banco de dados voltado a agentes de IA lançado em 2025, já cruzou US$ 100 milhões em receita recorrente — evidência de que a aposta em infraestrutura para agentes autônomos está encontrando demanda real. A empresa também afirma estar com fluxo de caixa positivo.

Quem entrou na rodada — e por quê

A lista de investidores mistura peso financeiro tradicional com dinheiro estratégico global: Coatue liderou a rodada, com participação de Blackstone, MGX (fundo soberano de Abu Dhabi), contas geridas pela T. Rowe Price e a estreante Sixth Street Growth, além de nomes como BOND, Clearlake Capital, Point72, Premji Invest e TPG. Investidores já presentes, como Andreessen Horowitz, Goldman Sachs Alternatives e Thrive Capital, também repetiram a dose. Ghodsi resumiu a lógica por trás do apetite com uma frase direta: "IA é cara". O dinheiro vai para compromissos de capacidade em nuvem com os hiperscalers, uma equipe de pesquisa em IA e aquisições recentes, como Electric, Panther, Lakewatch, Antimatter e Siftd.

Quem ganha e quem perde

A Databricks ganha munição para não depender de IPO tão cedo e para competir de igual para igual com rivais que também estão inflando seus balanços com capital privado. Os investidores que entraram cedo veem a valuation mais que dobrar em poucos anos. Quem perde é a disciplina do mercado: quando uma empresa pede US$ 1 bilhão e recebe ofertas de US$ 15 bilhões, o sinal é de um mercado privado de IA disposto a pagar qualquer prêmio para garantir uma cadeira na mesa — um padrão que, se a maré virar, pode deixar muita gente segurando papel caro demais.

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