Dataminer explica por que CS2 não vai ganhar anti-cheat no nível do kernel
Segundo o dataminer Maxim 'Gabe Follower' Poletaev, a Valve não pretende adotar anti-cheat invasivo em CS2 por causa da transição planejada para um sistema operacional próprio baseado em Linux.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Por que a Valve não faz o óbvio contra cheater
Se você joga CS2 e já perdeu a paciência com hacker solto em partida ranqueada, provavelmente já se perguntou: por que a Valve simplesmente não coloca um anti-cheat de kernel, tipo o Vanguard da Riot, e resolve isso de vez? A resposta, segundo o dataminer Maxim "Gabe Follower" Poletaev — um dos nomes mais respeitados quando o assunto é vazar informação de dentro dos jogos da Valve —, é mais estrutural do que parece.
Em entrevista à Cyber Sports, Follower explicou que a Valve está planejando uma transição gradual dos sistemas Windows para um sistema operacional próprio, baseado em Linux. Isso torna a implementação de um anti-cheat em nível de kernel "praticamente impossível" nesse ambiente, já que esse tipo de proteção depende de acesso profundo ao sistema operacional — algo que não se sustenta numa base Linux personalizada do jeito que funciona no Windows.
Falta gente, não é só questão técnica
Outro ponto levantado por Follower é bem mais prosaico: falta gente. Segundo ele, a Valve enfrenta limitação de equipe, e atualizar um anti-cheat para funcionar em configurações de hardware tão diversas quanto as que rodam CS2 no mundo todo exige recurso técnico que a empresa simplesmente não está disposta a alocar. "Deixaram claro que não vão fazer isso. A falta de mão de obra torna muito difícil atualizar o anti-cheat entre as configurações de hardware existentes", resumiu.
Isso importa pro bolso e pra experiência de quem joga: anti-cheat de kernel é invasivo — ele roda com privilégios altos no seu computador o tempo todo, o que levanta questão de privacidade e performance. A Valve historicamente prefere manter o VAC operando em nível de aplicação comum e investir em solução server-side, como o VACNet, que usa rótulos humanos pra treinar IA capaz de identificar comportamento suspeito sem precisar vasculhar seu PC.
O medo real não é o cheat de hoje
O alerta mais interessante de Follower vai além do anti-cheat atual: ele teme que cheats baseados em IA fiquem tão sofisticados nos próximos cinco anos que resultem em "um bot indistinguível de um jogador profissional", o que tornaria jogos de tiro competitivo inviáveis do jeito que conhecemos hoje. Enquanto isso não acontece, a Valve segue apostando no sistema Overwatch, que deixa jogadores revisarem replays suspeitos e ajudarem a identificar hackers manualmente — uma solução comunitária pra um problema que a empresa reconhece não ter recurso pra resolver sozinha.