
Daytona, nuvem para agentes de IA, atinge avaliação de US$ 1 bi com FirstMark
A Daytona fechou uma Série B de US$ 60 milhões liderada pela FirstMark e avaliação de US$ 1 bilhão, com anjos como os fundadores de Stripe, Perplexity, Datadog e Mercor. A startup monta infraestrutura de nuvem sob medida para agentes de inteligência artificial.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A conta: US$ 60 milhões que viram US$ 1 bilhão
A Daytona, startup que monta infraestrutura de nuvem sob medida para agentes de inteligência artificial, fechou uma rodada Série B de US$ 60 milhões liderada pela FirstMark, gestora americana de venture capital que já apostou em nomes como Pinterest e Shopify. O aporte avalia a companhia em US$ 1 bilhão e eleva o total captado para US$ 91 milhões, menos de um ano depois de uma Série A de US$ 24 milhões, também puxada pela FirstMark.
O que a Daytona vende
O pitch é direto: enquanto a nuvem tradicional foi desenhada para serviços que rodam continuamente, agentes de IA disparam milhares de tarefas curtas, com estado próprio, que ninguém planejou com antecedência. A Daytona oferece um computador individual para cada agente, com sandboxes em Linux, Windows, macOS e GPU, inicialização em milissegundos e memória persistente entre execuções. Segundo o fundador e CEO Ivan Burazin, agentes não funcionam como os serviços de longa duração para os quais a nuvem de hoje foi desenhada: eles disparam milhares de tarefas curtas e com estado que ninguém planejou com antecedência, e precisam de uma nuvem construída para isso.
Quem são os anjos
A lista de investidores pessoais chama atenção pelo peso dos nomes: Patrick Collison, cofundador da Stripe, processadora de pagamentos online avaliada em dezenas de bilhões de dólares; Tobi Lütke, da Shopify; Aravind Srinivas, CEO da Perplexity, buscador de respostas baseado em IA que disputa espaço com o Google; Eric Yuan, da Zoom; Olivier Pomel, cofundador da Datadog, empresa de monitoramento de infraestrutura de TI listada na Nasdaq; Adam D'Angelo, do Quora; e Brendan Foody, da Mercor, plataforma que usa IA para recrutar e avaliar profissionais, avaliada em bilhões de dólares. Entraram também fundos corporativos como Qualcomm Ventures, Samsung Next e Okta Ventures.
Quem ganha com a corrida dos agentes
A Daytona diz ter crescido cerca de 25 vezes em receita desde janeiro, com retenção líquida mensal média de 135%, e cita clientes como Meta, Cohere, Writer e Postman. O número reforça a tese por trás do cheque: se cada agente de IA precisa de um corpo computacional próprio para executar tarefas, a infraestrutura que sustenta esse exército vai crescer junto, e a FirstMark e os anjos apostam que a Daytona vira referência nesse nicho antes que gigantes como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure decidam construir algo parecido internamente. Quem perde, por ora, é a dúvida: avaliações bilionárias para startups de infraestrutura de IA ainda sem lucro consolidado seguem dependendo da manutenção do apetite por agentes autônomos no mercado corporativo.