
De barco, avião e caminhão: a logística das 560 mil urnas em 2026
Entre cartório eleitoral e seção de voto, cada urna passa por carga, lacre da Casa da Moeda e zerésima — uma operação que chega a rio e floresta pela Força Aérea.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Uma urna não aparece sozinha na escola do seu bairro
Mais de 560 mil urnas eletrônicas precisam estar prontas e no lugar certo para o primeiro turno de 2026 — ante 471 mil em 2022. Desse total, cerca de 499 mil vão de fato para votação e quase 65 mil ficam de reserva, prontas para substituir equipamentos com defeito. É uma operação que atravessa os 5.571 municípios do país, e que começa muito antes do domingo de votação.
A carga: quando a urna recebe os dados da sua seção
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Nos cartórios eleitorais, técnicos realizam a chamada carga das urnas: inserem nos cartões de memória a relação oficial de candidatos e o cadastro de eleitores específico de cada seção eleitoral. Antes disso, os sistemas usados nas urnas são compilados, assinados digitalmente e lacrados publicamente — um procedimento auditável, em tese, por fiscais de partido e pela própria sociedade civil. Depois da carga, as urnas recebem lacres físicos fornecidos pela Casa da Moeda: se alguém tentar abrir o equipamento, uma inscrição de violação fica visível.
Como a urna chega ao rio, à floresta, ao interior
A distribuição física acontece no sábado anterior à eleição, e o meio de transporte varia conforme a geografia. Em áreas urbanas e cidades do interior, as urnas seguem para escolas, postos de saúde e centros comunitários por estrada. Na Amazônia, embarcam em barcos e voadeiras que navegam por rios e igarapés, às vezes por dias. Em regiões remotas sem acesso terrestre ou fluvial viável, a Força Aérea Brasileira entra em cena com helicópteros e aeronaves — a eleição brasileira depende, literalmente, de logística militar para chegar a todo canto do território.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
A zerésima: a prova de que a urna começou do zero
Na manhã do domingo de votação, antes de o primeiro eleitor votar, o presidente da mesa emite a zerésima — um relatório impresso que comprova que não há nenhum voto registrado na urna. O documento precisa ser assinado pelo presidente da mesa, mesários e fiscais de partido presentes. É o ponto de virada simbólico entre a logística e o voto propriamente dito: só depois da zerésima assinada é que a seção pode abrir.
Quem fiscaliza essa operação logística?
Com centenas de milhares de urnas se movendo por estrada, rio e ar simultaneamente, a pergunta que fica é de custo e controle: quanto esse deslocamento nacional custa aos cofres públicos a cada eleição, e quais órgãos acompanham essa operação ponta a ponta, para garantir que nenhuma urna saia do trajeto previsto entre o cartório e a mesa de votação?