
De Instinct a Poke: os agentes de IA que já vivem no seu SMS
Um levantamento mapeia mais de uma dezena de agentes de IA que funcionam por SMS, iMessage e WhatsApp. O destaque é a startup Instinct, que quadruplicou sua avaliação para US$ 10 bilhões em um mês.
Por Marina Sato · Repórter de IA
Texto como nova interface
A TechCrunch reuniu, em reportagem publicada nesta semana, mais de uma dezena de agentes de IA que abandonam o aplicativo tradicional e operam direto pela caixa de mensagens do usuário, via SMS, iMessage, WhatsApp ou Telegram. O caso mais chamativo é o da Instinct, assistente pessoal que em setembro de 2026 levantou uma rodada Série C de US$ 1 bilhão e saltou para uma avaliação de US$ 10 bilhões — quatro vezes o valor que tinha um mês antes, quando captou US$ 250 milhões. A rodada teve Sequoia Capital, Benchmark e Coatue entre os investidores. O agente da Instinct se conecta a e-mail, mensagens, tela, áudio e localização do usuário e responde por texto ou ligação, sem exigir instalação de interface nova.
Consolidação no mercado
Foto: reprodução/startupfortune.com
O setor já registra a primeira grande fusão: a Poke, assistente da The Interaction Company que opera em iMessage, SMS, Telegram e e-mail, foi a primeira a ser aprovada pelo programa Apple Messages for Business, em junho de 2026. Um mês depois, a Poke foi comprada pela Cognition — criadora do agente de programação Devin — em um negócio avaliado na faixa de centenas de milhões de dólares. A Poke acumulou mais de 100 milhões de trocas de mensagens em seus três primeiros meses de operação.
Da família ao trabalho
A lista da TechCrunch segmenta os agentes por uso. Para tarefas domésticas e organização familiar aparecem nomes como Fambot, lançado em beta em setembro de 2026 com aporte de US$ 3,5 milhões, e Ollie, ativo desde junho de 2026. Para viagens, a Miso promete planejamento de roteiros direto pelo iMessage. No ambiente corporativo, a Town — que captou uma Série A de US$ 55 milhões liderada pela a16z — e a versão corporativa da Ask Proxy, cobrada a partir de US$ 15 por funcionário ao mês, tentam vender automação de agenda e tarefas para equipes. Outros nomes citados incluem Martin, Tomo, Szn e Tab, cada um com modelos de preço e canais de mensagem próprios.
O que ainda falta responder
Nenhum desses agentes tem lançamento oficial confirmado no Brasil, e a reportagem não detalha como os dados trocados por SMS — muitas vezes sem a criptografia ponta a ponta de apps como o WhatsApp — são armazenados ou usados para treinar os modelos. Com a Instinct valendo US$ 10 bilhões e a Poke já dentro da Cognition, a corrida por esse mercado está acelerada. A proteção da privacidade de quem manda uma mensagem de texto para uma IA, ainda não está.