
Departamento de Justiça dos EUA encerra investigação sobre a CrowdStrike sem acusações
Promotores federais concluíram análise sobre acordos de distribuição da empresa de cibersegurança, mas não explicaram os motivos do encerramento; investigação da SEC segue indefinida.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos encerrou, em julho de 2026, a investigação sobre a CrowdStrike, empresa americana de cibersegurança conhecida por fornecer softwares de proteção a governos e grandes corporações, sem apresentar qualquer acusação contra a companhia. A informação foi divulgada pela Bloomberg em 25 de setembro.
A apuração, conduzida por promotores do escritório da Procuradoria Federal em Manhattan, teve início no começo de 2025 e analisava os acordos de distribuição da CrowdStrike, em especial a forma como a empresa contabilizava transações com parceiros. Um dos pontos centrais foi um contrato de US$ 32 milhões fechado em 2023 com a distribuidora Carahsoft para fornecer software de segurança à Receita Federal americana (IRS); apesar de a Carahsoft ter efetuado os pagamentos no prazo, o órgão nunca chegou a comprar ou receber os produtos, e funcionários da própria CrowdStrike levantaram dúvidas internas sobre a validade do negócio, fechado no último dia de um trimestre fiscal.
Foto: reprodução/news.bloomberglaw.com
As autoridades comunicaram às partes envolvidas que não haveria continuidade em ações criminais ou civis relacionadas ao caso, mas os promotores não deram explicações públicas sobre os motivos da decisão. A CrowdStrike, que ficou mundialmente conhecida em 2024 após uma falha em um de seus produtos causar um apagão global em sistemas de computadores, afirmou que vinha cooperando com os pedidos de informação ao longo da apuração.
Quem é afetado
O caso envolve diretamente a CrowdStrike, seus executivos e a distribuidora Carahsoft, além de órgãos públicos americanos citados nos contratos investigados, como a Receita Federal dos EUA. Não há indicação de impacto direto sobre usuários finais dos produtos da empresa.
O que fazer agora
- Clientes e parceiros da CrowdStrike podem seguir utilizando os serviços normalmente, já que não houve acusação formal contra a empresa;
- Investidores devem acompanhar se a investigação paralela da SEC (comissão de valores mobiliários dos EUA) sobre o mesmo tema segue em andamento, já que seu status permanece incerto;
- Empresas que fecham grandes contratos de distribuição podem usar o caso como referência para reforçar a documentação e a transparência contábil de negócios fechados perto do fim de trimestres fiscais;
- Fique de olho em possíveis atualizações da própria CrowdStrike ou de órgãos reguladores sobre o desfecho definitivo do caso.