tech & talk
Ciência03 de set. de 2026, 10:43

Depois de Hubble e Webb, nova geração de telescópios promete revolucionar a astronomia

Da Nancy Grace Roman, já lançada pela NASA, ao gigante ELT no Chile e à missão LISA para captar ondas gravitacionais, cinco projetos vão redefinir a busca por vida fora da Terra nos próximos anos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Pra escala humana: imagine cinco projetos, espalhados entre órbita e o deserto do Atacama, cada um tentando responder a uma pergunta que a humanidade faz há séculos — estamos sozinhos no universo? Depois do sucesso do Hubble e do James Webb, telescópio espacial da NASA lançado em dezembro de 2021 e capaz de observar galáxias formadas nos primeiros bilhões de anos do cosmo, uma nova leva de observatórios entra em cena para tentar ir além.

O que já é fato

Foto: reprodução/science.nasa.gov

O mais adiantado da lista é o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, projeto da agência espacial americana NASA batizado em homenagem à astrônoma que ajudou a viabilizar o próprio Hubble. Ele foi lançado em 30 de agosto de 2026 a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, e agora segue rumo ao ponto de equilíbrio gravitacional L2, a cerca de 1,5 milhão de km da Terra. A NASA promete as primeiras imagens para o início de 2027. Com um campo de visão muito maior que o do Hubble, o Roman deve mapear o céu 1.000 vezes mais rápido, investigando matéria escura, energia escura e exoplanetas — e enviando 1,4 terabyte de dados por dia, volume inédito para uma missão de astrofísica da agência.

No terreno, o Observatório Vera C. Rubin, instalado no Cerro Pachón, no deserto do Atacama, no Chile, já divulgou suas primeiras imagens em junho de 2025. Sua câmera de 3.200 megapixels — do tamanho de um carro — deu início ao Legacy Survey of Space and Time (LSST), levantamento que deve escanear o céu todas as noites pela próxima década. A expectativa dos astrônomos envolvidos é encontrar 10 milhões de supernovas e catalogar 20 bilhões de galáxias.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Também no Atacama, o ELT (Extremely Large Telescope), telescópio terrestre do Observatório Europeu do Sul (ESO, consórcio de países europeus dedicado à astronomia no Hemisfério Sul), segue em construção no Cerro Armazones. Seu espelho principal, de 39 metros e quase 800 segmentos hexagonais, deve entregar imagens até 15 vezes mais nítidas que as do Hubble quando entrar em operação científica, previsto para 2027 ou 2028, conforme cronogramas divulgados pelo próprio ESO.

O que ainda é promessa

Dois projetos seguem em estágio mais distante. O Observatório de Mundos Habitáveis (HWO), telescópio espacial que a NASA planeja como sucessor direto do Roman, ainda não tem data de lançamento confirmada — estimativas apontam para as décadas de 2040. A proposta é ambiciosa: seria o primeiro instrumento desenhado especificamente para buscar sinais de vida, mirando ao menos 25 mundos potencialmente habitáveis.

Já a missão LISA (Antena Espacial de Interferômetro a Laser), aprovada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em parceria com a NASA em 2024, pretende lançar três naves em 2035 para formar um triângulo de 2,5 milhões de km no espaço e captar ondas gravitacionais — sinais da própria estrutura do espaço-tempo, algo que nenhum telescópio óptico consegue enxergar.

astronomiatelescópiosnasaexoplanetasespaço
Compartilhar