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Segurança23 de out. de 2026, 10:11

Desligar rastreamento de smart TV pode não funcionar, aponta pesquisa

Estudo da Northeastern University encontrou tráfego suspeito de rede em TVs Samsung, Vizio e Roku mesmo depois de o usuário desativar o rastreamento ACR nas configurações. Especialistas recomendam camadas extras de proteção.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que a pesquisa encontrou

Um estudo da Northeastern University, intitulado "Watching the Watchers: Privacy Analysis of U.S. Smart TV Automatic Content Recognition" e assinado pelos pesquisadores Ilgar Mammadov, Het Rutul Joshi, Daniel J. Dubois e David Choffnes, testou 12 smart TVs de 10 fabricantes diferentes (Amazon, Hisense, LG, Roku, Samsung, Sony, Supersonic, TCL, Vizio e Westinghouse), cobrindo oito sistemas operacionais distintos. O objetivo era medir quando as TVs usam o chamado ACR (Automatic Content Recognition, ou "reconhecimento automático de conteúdo") e se desligar essa função nas configurações realmente interrompe o envio de dados.

O ACR funciona capturando pequenas amostras de imagem ou áudio exibidas na tela — mesmo quando a TV está sendo usada apenas como monitor "burro" para um console ou um Chromecast conectado via HDMI — e enviando esse material para servidores remotos, onde é usado para medir audiência e direcionar anúncios. É a mesma lógica por trás de serviços como o Samba Interactive TV (usado em aparelhos Sony), o Live Plus da LG e a antiga Inscape, da Vizio, empresas de analytics de TV pouco conhecidas do público brasileiro mas que processam dados de milhões de aparelhos nos EUA.

O resultado mais sensível: TVs rodando os sistemas Tizen (Samsung), SmartCast (Vizio) e o sistema da Roku continuaram registrando tráfego de rede com padrões periódicos — mesma assinatura do envio de dados de ACR — mesmo depois de o usuário desativar a opção de rastreamento no menu de privacidade. Ou seja, o botão de "desligar" nem sempre interrompe de fato a comunicação do aparelho com os servidores das empresas.

Quem é afetado

Qualquer pessoa que tenha smart TV das marcas citadas — especialmente Samsung, Vizio e Roku — está potencialmente exposta, mesmo tendo seguido à risca o caminho recomendado nos menus de configuração para desligar o rastreamento. O problema atinge tanto quem assiste TV aberta quanto quem só usa o aparelho como tela para streaming via HDMI, já que o ACR pode continuar ativo nesse cenário.

Vale lembrar que a Samsung já foi alvo de uma ação do Attorney General do Texas, que resultou em acordo para a empresa parar de coletar dados de ACR sem consentimento explícito, além de enfrentar uma ação coletiva em Nova York sobre a Video Privacy Protection Act — sinal de que o tema já chamou atenção de reguladores nos EUA.

O que fazer agora

Como o opt-out pelo menu nem sempre é garantia total, vale reforçar as camadas de proteção:

  • Desative o rastreamento mesmo assim: na Samsung, vá em Configurações > Suporte > Termos e Privacidade > Escolhas de Privacidade e desligue "Viewing Information Services"; na LG, em Configurações > Geral > Sistema > Configurações Adicionais, desative o "Live Plus"; na Vizio, em Menu > Sistema > Reset e Admin, desligue "Viewing Data"; e na Roku, TCL e Hisense, procure por "Personalizar anúncios" em Privacidade.
  • Desconecte a TV da internet sempre que possível e assista apenas via dispositivos externos (Chromecast, Apple TV, videogame) conectados direto ao roteador, evitando depender do Wi-Fi da própria TV.
  • Use um bloqueador de DNS ou firewall doméstico (como Pi-hole, ou os controles do próprio roteador) para filtrar domínios conhecidos de ACR e telemetria.
  • Revise as configurações de privacidade após cada atualização de firmware, já que fabricantes costumam resetar preferências depois de updates.
  • Na hora de comprar uma TV nova, priorize marcas com histórico de auditorias independentes de privacidade e desconfie de aparelhos muito baratos — o modelo de negócio do ACR ajuda a financiar o preço reduzido desses produtos.
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