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Mercado20 de out. de 2026, 19:19

Deutsche Telekom, Orange, Telefónica e Vodafone se unem contra a Starlink na Europa

As quatro operadoras assinaram carta de intenção para disputar juntas o espectro de satélite que vai sustentar conectividade direct-to-device na Europa, numa tentativa de reduzir a dependência da Starlink de Elon Musk.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Quatro gigantes, uma carta de intenção

Deutsche Telekom, operadora alemã controladora da T-Mobile, Orange, gigante francesa de telecomunicações, Telefónica — que no Brasil controla a Vivo — e Vodafone, uma das maiores teles do Reino Unido, assinaram nesta segunda-feira uma carta de intenção para estudar uma oferta conjunta pelo espectro europeu de satélite destinado a serviços móveis (MSS). O documento não é um compromisso firme: as empresas ainda vão avaliar se, e como, vão apresentar uma proposta única à Comissão Europeia.

O que está em jogo

A disputa é pela faixa de 2 GHz de espectro de satélite, hoje licenciada para EchoStar e Viasat, com vencimento previsto para maio de 2027. Pela proposta da Comissão Europeia, as frequências seriam divididas em três blocos: um terço reservado ao uso governamental via o projeto IRIS², e os dois terços restantes partilhados entre novos entrantes europeus e operadoras europeias ou não europeias — o que limitaria players de fora do bloco, como a SpaceX, a apenas uma fração do total disponível.

Infraestrutura própria, satélite de parceiro

Segundo o acordo, as quatro operadoras ficariam responsáveis por construir a infraestrutura terrestre e as funções de coordenação da rede, enquanto um parceiro de satélites — ainda não escolhido — forneceria a constelação em órbita. A lógica é oferecer acesso não discriminatório à rede para as operadoras móveis europeias, evitando a dependência de um único fornecedor de conectividade direta a celulares (direct-to-device).

Starlink como pano de fundo — e conflitos de interesse

A motivação declarada é concorrer com a Starlink, da SpaceX de Elon Musk, que já domina a conectividade via satélite direta a dispositivos e vem avançando na Europa em parceria com operadoras como a Proximus. O movimento também surge em meio a tensões geopolíticas crescentes entre EUA e Europa sobre infraestrutura crítica de conectividade. Há, porém, contradições no grupo: a própria Deutsche Telekom distribui o serviço direct-to-device da Starlink e planeja lançar sua própria oferta D2D em 2028, enquanto a Vodafone teria que reestruturar sua joint venture com a AST SpaceMobile para se qualificar como "controlada por europeus".

Quem ganha, quem perde

Se o bloco avançar, o maior perdedor potencial é a SpaceX, que veria sua janela de expansão direct-to-device na Europa restrita a uma fração do espectro disponível. Entre as teles europeias, o ganho é defensivo: reduzir a dependência de um fornecedor americano em conectividade crítica. Mas o negócio ainda está em estágio preliminar — sem parceiro de satélite definido, sem valores de investimento anunciados e sem garantia de que as quatro vão de fato apresentar proposta conjunta à Comissão Europeia.

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