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IA23 de out. de 2026, 09:36

Diretor da Laika diz que IA generativa é 'antitética' ao estúdio

Travis Knight, diretor da Laika, disse que a IA generativa é 'antitética' ao estúdio de stop-motion responsável por Coraline e Wildwood, reavivando o debate sobre o uso da tecnologia no cinema.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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"Não há humanidade no que sai do outro lado disso"

Travis Knight, diretor e CEO da Laika, estúdio americano de stop-motion por trás de Coraline e ParaNorman, não poupou palavras sobre inteligência artificial generativa às vésperas do lançamento de Wildwood, seu longa mais ambicioso até hoje. "De tantas formas, a IA generativa é antitética a tudo que somos neste estúdio", disse à imprensa americana. E foi direto ao ponto que mais repete em entrevistas: "não há humanidade no que sai do outro lado disso".

Em bom português: para Knight, um filme feito por IA pode imitar a forma, mas não carrega a mesma origem humana que, para ele, é o próprio motivo de existir do stop-motion — técnica de animação quadro a quadro com bonecos físicos, sem nenhum atalho digital na origem da imagem.

Cinco anos, 230 bonecos, zero atalho

Wildwood levou cinco anos para ficar pronto, com mais de 230 bonecos físicos — 36 só para a protagonista Prue —, 49 animadores e mais de mil artistas envolvidos ao longo da produção. Knight reforça essa artesania em outras entrevistas recentes: "no centro de tudo que fazemos está o artista. O stop-motion exibe sua humanidade abertamente, e a IA não tem humanidade".

Um debate que a indústria ainda não resolveu

A posição de Knight o coloca do mesmo lado do cineasta Guillermo del Toro, outro crítico declarado da IA generativa no cinema. Do lado oposto, estúdios como a Pixar, divisão de animação da Disney, tratam a tecnologia como uma ferramenta de assistência criativa, não como substituta do processo artístico. O cofundador da DreamWorks, Jeffrey Katzenberg, foi além e anunciou um estúdio dedicado inteiramente a conteúdo gerado por IA.

Não existe, por ora, consenso na indústria do entretenimento sobre onde a IA generativa deveria — ou não — entrar no processo criativo. O que existe são apostas opostas, feitas por gente que viveu a mesma indústria: de um lado, quem vê ameaça à essência do ofício; do outro, quem vê apenas uma ferramenta nova na caixa.

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