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Ciência20 de out. de 2026, 19:18

Dirigível estratosférico da Sceye voa dos EUA ao Japão para testar torre de celular

A plataforma ST1 da Sceye percorreu cerca de 30 mil km entre Novo México e Japão para validar conectividade móvel via estratosfera, em parceria com a SoftBank. O teste simulou cenários de resposta a desastres.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um "celular voador" cruzando o Pacífico

Imagine uma torre de celular que não fica presa ao solo, mas flutua sozinha a mais de 16 km de altura e viaja de um continente a outro sem piloto a bordo. Foi isso que a Sceye — startup americana que desenvolve plataformas estratosféricas de conectividade, sediada perto de Albuquerque, Novo México — colocou no ar entre agosto e setembro de 2026.

O que está confirmado

A missão, batizada de Service Test 1 (ST1), decolou de Roswell, Novo México, em 9 de agosto. Treze dias depois, o dirigível não tripulado alcançou o espaço aéreo japonês, onde permaneceu operando por mais de sete dias. A plataforma voou a uma altitude de aproximadamente 16,5 km a 17 km — acima do tráfego aéreo comercial e da camada do jato —, mantendo um raio de permanência tão pequeno quanto 5 km sobre a área de operação. No total, a viagem de ida e volta somou perto de 30 mil km, com retorno aos EUA em 4 de setembro e aterrissagem em 5 de setembro, próximo à sede da empresa em Moriarty, Novo México.

A bordo, o sistema SceyeCELL funcionou como uma torre de celular embarcada, operando pela rede core da operadora japonesa SoftBank Corp. e entregando banda larga móvel — ligações, mensagens, navegação e streaming de vídeo — diretamente a aparelhos comuns, sem qualquer modificação. A Sceye também registrou processamento de dados a bordo (edge computing), com tempo médio de resposta de 68 milissegundos, o que a empresa descreve como o primeiro núcleo de rede móvel e servidor web operando em uma plataforma HAPS.

O teste contou com a participação da SoftBank, além da Universidade Hitotsubashi e do Instituto Nacional de Pesquisa Polar do Japão. O CEO da Sceye, Mikkel Vestergaard Frandsen, afirmou que "voar dos EUA ao Japão demonstra o desempenho necessário para tornar a estratosfera uma camada viável de infraestrutura". Já o presidente da SoftBank, Junichi Miyakawa, chamou o teste de "passo importante rumo à comercialização do HAPS".

O que é hipótese ou projeção

A aplicação central — garantir conectividade em desastres, como terremotos, quando torres terrestres caem — é o objetivo declarado, mas ainda não validada em um desastre real. A SoftBank projeta serviços comerciais de HAPS no Japão a partir de 2027; a Sceye estima que cada plataforma cubra uma área equivalente a 500 torres terrestres — metas da empresa, não resultados medidos neste voo. A categoria de tecnologia é conhecida como HAPS (High-Altitude Platform Station): um satélite de baixíssima órbita, só que dentro da atmosfera — cerca de 30 vezes mais próximo do solo do que satélites de órbita baixa da Terra.

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