
Discovered Materials capta US$ 9 milhões para achar materiais que esfriam chips
Startup do Vale do Silício usa agentes de IA para acelerar a busca por materiais capazes de dissipar o calor gerado por chips de IA. Rodada seed de US$ 9 milhões foi liderada pela Lightspeed India Partners.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Rodada seed de US$ 9 milhões mira o calor dos chips de IA
A startup Discovered Materials levantou uma rodada seed de US$ 9 milhões para financiar a busca por novos materiais capazes de tornar os chips de inteligência artificial mais eficientes e, principalmente, mais frios. A rodada foi liderada pela Lightspeed India Partners e contou com a participação da Peak XV Partners, além dos investidores-anjo Paul Graham, Gokul Rajaram e Thariq Shihipar.
O problema: chips que esquentam demais
Os chips de IA modernos geram grandes quantidades de calor, e os materiais usados em embalagens e interconexões são determinantes para a eficiência da dissipação térmica. Segundo a empresa, materiais de interface térmica melhores, interconexões mais condutivas e camadas dielétricas aprimoradas podem ampliar de forma relevante o teto de desempenho dos processadores atuais. O desafio é que, tradicionalmente, o processo de descoberta de um novo material — da curiosidade em laboratório até um componente pronto para produção — leva mais de uma década.
A aposta: agentes de IA em busca de candidatos
A proposta da Discovered Materials, batizada internamente também de Matforge, é comprimir esse cronograma de décadas para meses. Para isso, os fundadores Advaith Sridhar e Akash Ramdas construíram um pipeline de software que usa modelos da Anthropic em um harness personalizado para gerar candidatos a novos materiais. Em seguida, esses candidatos passam por modelos de física fundamental treinados pela própria equipe, que simulam e verificam se os materiais propostos realmente têm potencial de interesse — daí a comparação com um jogo de "whack-a-mole": a IA propõe, testa e descarta candidatos em sequência acelerada até encontrar os que funcionam.
Quem está por trás da empresa
Ramdas é doutor em ciência dos materiais por Stanford, enquanto Sridhar tem passagem por projetos de agentes de IA na Persona AI e na Luma Labs. A dupla comanda uma equipe enxuta, típica de startups em estágio seed, e a empresa passou pelo lote Spring 2026 da aceleradora Y Combinator antes de fechar o aporte.
O que vem a seguir
Com o novo capital, a Discovered Materials pretende expandir a capacidade de simulação e testes físicos de seus candidatos a materiais, mirando aplicações em semicondutores voltados a data centers, onde a eficiência térmica é cada vez mais crítica para sustentar o crescimento da demanda por poder computacional de IA.