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Mercado27 de out. de 2026, 22:40

Disruptive levanta US$ 10 bi para apostar tudo em só 10 empresas

Gestora texana que já embolsou retorno bilionário com a fabricante de chips de IA Groq fecha seu maior fundo e promete cheques de até US$ 1 bilhão por empresa. A aposta concentrada divide o mercado entre quem aplaude a convicção e quem vê risco demais em poucas cestas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 10 bilhões em só 10 apostas

A gestora texana Disruptive, com sede em Dallas, fechou um fundo de US$ 10 bilhões com um plano incomum para o mercado de venture capital: usar o dinheiro em pelo menos 10 empresas, com cheques de até US$ 1 bilhão cada. É o maior fundo de venture já levantado no Texas e, mais importante, um símbolo de como a lógica de diversificação que sempre guiou o venture capital está sendo jogada pela janela quando o assunto é inteligência artificial.

"Não conseguimos escrever cheques pequenos", resumiu o fundador Alex Davis, neto do bilionário do petróleo Marvin Davis, que criou a Disruptive em 2012. A frase captura o momento: empresas de IA e defesa estão levantando rodadas cada vez maiores e demorando mais para abrir capital, o que empurra até gestoras historicamente discretas para cheques de bilhão de dólares.

De SPVs a fundo blind-pool

Até aqui, a Disruptive operava por meio de veículos de investimento específicos para cada negócio (os chamados SPVs), montados caso a caso. O novo fundo é o primeiro "blind-pool" da casa: os investidores comprometem o capital antes mesmo de saber em quais empresas ele será aplicado, apostando na tese e no histórico do gestor, não em um pipeline definido.

E o histórico, nesse caso, é o argumento de venda. Segundo documentos citados pela imprensa internacional, a Disruptive já devolveu mais de US$ 6 bilhões sobre cerca de US$ 1,9 bilhão investido. O destaque é a Groq, startup de chips especializados para rodar modelos de inteligência artificial, que gerou retorno expressivo depois que a Nvidia fechou um acordo de US$ 20 bilhões para licenciar sua tecnologia e contratar parte da equipe. Completam a lista de apostas a ElevenLabs, startup que cria vozes sintéticas por IA, além de participações em Databricks e na fabricante de drones de defesa Shield AI.

Quem ganha e quem fica de fora

A estratégia de concentração tem lógica: com apenas 30 funcionários, a Disruptive prefere apostar grande em poucos nomes já validados pelo mercado do que pulverizar capital em dezenas de apostas incertas. Quem ganha são as startups de IA e defesa em estágio avançado que já provaram tração — para elas, um cheque de até US$ 1 bilhão de um fundo único resolve a equação de permanecer privada por mais tempo sem precisar ir ao mercado aberto.

Quem sai perdendo nessa equação são os fundos tradicionais de early-stage e os investidores que apostam em diversificação ampla: o dinheiro institucional que poderia ser espalhado por centenas de startups menores se concentra cada vez mais em um punhado de nomes já consagrados, elevando o risco sistêmico caso uma dessas apostas gigantes não entregue o retorno esperado.

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