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Mercado13 de out. de 2026, 01:19

DistroKid apaga músicas de artistas em silêncio após ação da UMG

A distribuidora digital DistroKid confirmou que vem removendo faixas sem aviso prévio em resposta a um processo da Universal Music Group, que acusa a empresa de inundar plataformas de streaming com músicas geradas por IA disfarçadas de obra humana.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Remoções sem aviso prévio

A DistroKid, plataforma de distribuição digital usada por artistas independentes para colocar música em serviços como Spotify e Apple Music, confirmou à imprensa que vem removendo faixas do catálogo sem notificar previamente os músicos. Segundo reportagem do The Verge, a empresa admitiu que as retiradas são resposta direta a um processo aberto pela Universal Music Group (UMG), uma das três grandes gravadoras globais, em setembro de 2026.

Em nota enviada ao site, a vice-presidente de serviços a artistas da DistroKid afirmou que "um número muito pequeno de gravações distribuídas pela DistroKid foi removido em resposta a alegações feitas pela UMG", acrescentando que a empresa "discorda fortemente das acusações" e lamenta a disrupção causada a artistas afetados. Nas redes sociais, músicos relataram que faixas sem qualquer relação com inteligência artificial também foram apagadas na varredura.

Foto: reprodução/musicbusinessworldwide.com

O que a UMG alega

O processo, movido pela UMG e por sua gravadora Capitol Records na Justiça Federal de Delaware, tem 52 páginas e acusa a DistroKid de permitir conscientemente uma enxurrada de músicas geradas por IA apresentadas como criação humana nas plataformas de streaming. Segundo a Billboard e a Music Business Worldwide, a gravadora argumenta que essa prática infringe direitos autorais, engana consumidores e desvia royalties que deveriam ir a artistas legítimos.

A ação lista 1.000 gravações específicas como exemplo, mas a UMG classifica esse número como apenas "a ponta do iceberg", afirmando que o processo de descoberta de provas deve revelar milhares de outras faixas. Com base nos danos estatutários previstos na lei americana, de até US$ 150 mil por obra infringida, o valor pedido pode chegar a US$ 150 milhões.

Quem perde com a disputa

A DistroKid, por sua vez, disse discordar das alegações e manifestou estar "decepcionada" por a UMG ter optado pela via judicial em vez de processos já estabelecidos no setor, afirmando que vai se defender "vigorosamente".

No meio do fogo cruzado estão os artistas independentes que usam a plataforma para distribuir sua produção sem vínculo com grandes gravadoras — parte deles viu músicas legítimas, sem qualquer uso de IA, desaparecerem do catálogo sem aviso. Enquanto a disputa corre na Justiça, é esse grupo que arca com o custo imediato da queda de braço entre a distribuidora e uma das majors da indústria fonográfica.

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