
Documento revela: Musk detém 48,4% da SpaceX e US$ 900 bi em ações
Arquivo regulatório mostra que Elon Musk tinha 6,42 bilhões de ações da SpaceX em 30 de junho, uma fatia de 48,4% avaliada em mais de US$ 900 bilhões e que garante a ele 82% do poder de voto da companhia.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
48,4% e US$ 900 bilhões: o tamanho da fatia de Musk
O número que importa saiu num documento regulatório divulgado nesta quinta-feira (13): Elon Musk detinha, em 30 de junho, 6,42 bilhões de ações da SpaceX, o equivalente a 48,4% do capital da companhia em base as-converted. Aos preços de mercado atuais, a posição vale mais de US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,67 trilhões) — sozinha, uma fatia maior que o valor de mercado da imensa maioria das empresas listadas em bolsa no mundo.
Não é bem "quase 50%" no sentido de maioria simples, mas é o suficiente para consolidar Musk como o acionista de longe mais relevante da fabricante de foguetes. E o poder de voto é ainda mais concentrado: graças à estrutura de duas classes de ações, ele controla mais de 82% dos votos da companhia desde o IPO — um fosso que blinda suas decisões mesmo com menos da metade do capital total.
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Como está fatiada a posição
O documento detalha a composição da fatia: 849,5 milhões de ações Classe A e 3,92 bilhões de ações Classe B estão em trusts nos quais Musk atua como administrador; outras 1,30 bilhão de ações Classe B restritas ficam sob propriedade direta; e 350 milhões de ações Classe B vêm de opções de compra ainda a exercer. É uma engenharia societária desenhada para maximizar controle sem exigir a maioria acionária — modelo que Musk já usa na Tesla.
O múltiplo por trás do número
O pano de fundo é o IPO da SpaceX, realizado em 12 de junho, que levantou US$ 85,7 bilhões e avaliou a empresa acima de US$ 2 trilhões na estreia — um dos maiores lançamentos da história do mercado acionário americano. Desde então, o papel não andou em linha reta: caiu 33% até o fim de julho, num movimento de correção pós-IPO comum em ativos que estrearam com múltiplos esticados, e recuperou 30% já em agosto, período que coincide com a divulgação deste documento.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é o próprio Musk, que vê sua fortuna pessoal ancorada ainda mais fortemente num único ativo de altíssimo valor e alta volatilidade, além de manter blindagem contra qualquer tentativa de diluição de controle. Quem fica em posição mais delicada são os investidores que entraram no IPO a múltiplos elevados e agora navegam a montanha-russa de preço da ação — e o mercado como um todo, que passa a monitorar de perto até que ponto a concentração de poder num único controlador pode pesar na governança de uma empresa avaliada em trilhões de dólares.
Atualização (14/08, 21:55): Atualização (14/08/2026): A Nvidia informou, em documento enviado à SEC (Securities and Exchange Commission dos EUA), que detém 122,8 milhões de ações Classe A da SpaceX — uma participação avaliada em cerca de US$ 21 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026. Com a queda das ações da SpaceX, que fecharam a US$ 140 na sexta-feira ante US$ 170,86 no final de junho, o valor da fatia da fabricante de chips recuou para aproximadamente US$ 17,2 bilhões.
A participação da Nvidia na SpaceX é resultado da conversão de um investimento anterior: em janeiro, a empresa havia aportado US$ 10 bilhões na xAI, dentro de uma rodada de financiamento de US$ 20 bilhões. Quando a SpaceX adquiriu a xAI em fevereiro, em operação avaliada em US$ 1,25 trilhão, a fatia da Nvidia na empresa de inteligência artificial se converteu em ações da SpaceX.
Segundo dados da FactSet, a Nvidia é hoje a sexta maior investidora da SpaceX, atrás de Elon Musk (cerca de US$ 850 bilhões) e do Google (cerca de US$ 78 bilhões). Musk também afirmou, em teleconferência de resultados, que a SpaceX usará exclusivamente chips da Nvidia em seus futuros data centers de IA.
Atualização (17/08, 21:44): A fabricante de chips divulgou que detém 122,8 milhões de ações da SpaceX, avaliadas em cerca de US$ 21 bilhões, após a empresa de Musk fechar acordo exclusivo para usar processadores da Nvidia em seus data centers.