
Documentos mostram que TikTok ignorou alertas sobre segurança infantil
Depoimentos arquivados em tribunal federal dos EUA revelam que funcionários do TikTok alertaram executivos sobre exploração sexual de menores na plataforma, mas a empresa não agiu como deveria.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Documentos judiciais obtidos pela rádio pública americana NPR e divulgados nesta terça-feira (20) mostram que funcionários do TikTok, rede social de vídeos curtos de origem chinesa, alertaram repetidamente a executivos sobre riscos à segurança de crianças e adolescentes na plataforma — e que a empresa não teria agido de forma adequada diante desses avisos.
Segundo os depoimentos, arquivados em março de 2026 como parte de centenas de ações judiciais consolidadas em um tribunal federal dos EUA, os funcionários identificaram que menores apareciam em conteúdo sexual disponível para compra dentro do próprio TikTok, o que levantou preocupações internas de que a empresa estaria lucrando com atividade potencialmente ilegal. Uma investigação interna encontrou crianças de 13 a 15 anos em 112 mil vídeos de TikTok Live somente em janeiro de 2022, com riscos que incluíam predadores adultos aliciando crianças e produção de material de abuso sexual infantil. A empresa também teria recebido receita significativa de presentes virtuais enviados durante essas transmissões.
Foto: reprodução/npr.org
Os documentos também mostram que o TikTok evitou fazer pesquisas internas sobre a idade real de seus usuários por temer ter que compartilhar esses resultados com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), órgão regulador que fiscaliza práticas de consumo no país. Um executivo chegou a escrever: "Estou lutando para corrigir isso há meses com pessoas que não acham os danos graves o suficiente."
Quem é afetado
Os riscos descritos nos documentos afetam diretamente crianças e adolescentes usuários da plataforma, especialmente no recurso de transmissões em vídeo ao vivo (TikTok Live). De forma indireta, afeta pais e responsáveis que tentam monitorar o uso do aplicativo pelos filhos, já que os documentos citam brechas usadas por menores para acessar conteúdo restrito por idade e esconder atividades dos responsáveis. TikTok, Meta, Google e Snap enfrentam processos semelhantes nos EUA alegando que suas plataformas prejudicaram menores.
O que fazer agora
- Ative e revise as configurações de controle parental e do modo restrito do TikTok diretamente no app, em Configurações e privacidade
- Verifique com que frequência e por quanto tempo crianças e adolescentes da casa assistem a transmissões em vídeo ao vivo (lives)
- Converse com os menores sobre o risco de interações com desconhecidos em lives e sobre não aceitar ou enviar presentes virtuais
- Denuncie diretamente pelo app qualquer conteúdo suspeito envolvendo menores, usando a opção de denúncia nos vídeos
- Acompanhe as atualizações do processo judicial nos EUA, que pode resultar em mudanças nas políticas da plataforma também fora do país