
Documentos revelam plano da Meta para desacreditar crítico de redes sociais
Processo judicial nos EUA desselou atas internas da Meta discutindo uma 'estratégia sussurro' para virar acadêmicos contra o psicólogo Jonathan Haidt, crítico do impacto das redes sociais em adolescentes. O episódio ocorreu em março de 2023, sob pressão de processos sobre segurança infantil.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Documentos de tribunal expõem estratégia interna
Documentos judiciais desselados em um tribunal federal da Califórnia mostram que funcionários da Meta, dona do Facebook e do Instagram, discutiram como virar a comunidade acadêmica contra o psicólogo social Jonathan Haidt. Haidt é autor do livro best-seller "The Anxious Generation" (A Geração Ansiosa) e uma das vozes mais influentes ao ligar o uso de redes sociais à crise de saúde mental entre adolescentes.
Uma ata de reunião interna da Meta sobre "bem-estar", datada de 8 de março de 2023, registra que o então vice-presidente de pesquisa da empresa, Curtiss Cobb, definiu como meta da chamada "Haidt assignment" (tarefa Haidt) a seguinte pergunta: "como fazemos a comunidade acadêmica repudiar o Haidt?". Um tópico da ata traz apenas um ponto: "não dá para cooptá-los, então como os enfurecemos?".
A 'estratégia sussurro'
Outras notas de reunião discutem a viabilidade de uma "whisper strategy" (estratégia sussurro) para "virar acadêmicos contra o Haidt" e avaliam formas de fazer o chamado "debunking" dele acontecer. Os documentos também mostram que funcionários da Meta discutiram articular com outros acadêmicos para que o estatístico Andrew Gelman, da Universidade Columbia, escrevesse um texto demolidor sobre o trabalho de Haidt.
Contexto: pressão pública e processos judiciais
O episódio aconteceu em meio a pressão pública crescente sobre a Meta pelos efeitos de suas plataformas na saúde mental de adolescentes, e às vésperas de uma onda de processos judiciais sobre segurança infantil contra a empresa. Os documentos foram desselados publicamente na sexta-feira anterior à divulgação do caso, como parte de um processo em curso na Justiça federal americana.
A Meta não teve uma resposta amplamente divulgada às revelações até o momento da apuração. O caso se soma a outros processos que acusam big techs de minimizarem internamente os riscos de suas plataformas para menores de idade enquanto publicamente negavam ou suavizavam essas evidências.