
DOJ aperta cerco à compra da Roku pela Fox e atrasa fechamento de US$ 22 bi
O Departamento de Justiça dos EUA enviou um "second request" à Fox e à Roku, exigindo mais dados sobre a fusão de US$ 22 bilhões. O pedido estende o prazo de revisão antitruste e adia a data prevista de fechamento do negócio.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 22 bilhões sob a lupa do antitruste americano
US$ 22 bilhões é o valor que a Fox está disposta a pagar pela Roku, a fabricante de dispositivos e sistema operacional para streaming mais usada nos Estados Unidos. Mas antes de fechar essa conta, a empresa vai ter que abrir um baú de documentos bem maior do que previa. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) enviou nesta terça-feira (9) à Fox e à Roku um "second request" — pedido formal de mais dados e documentos que aprofunda a revisão antitruste do negócio.
O que muda com o pedido
Na prática, um second request é uma ferramenta padrão usada por reguladores quando as informações apresentadas na notificação inicial da fusão não são suficientes para dissipar dúvidas sobre concorrência. Não significa, por si só, que o DOJ pretende barrar o negócio — mas estende o prazo de espera previsto na lei antitruste americana (Hart-Scott-Rodino) por 30 dias adicionais depois que as empresas responderem "substancialmente" ao pedido, período em que a fusão fica proibida de ser concluída.
Quem ganha e quem perde na demora
O atraso pesa mais para a Roku, negociada em bolsa e dependente da confirmação do prêmio oferecido pela Fox para sustentar o valor de suas ações no curto prazo. Já a Fox, controlada pela família Murdoch, tem menos pressa: o plano já previa fechamento apenas no primeiro semestre de 2027, e a companhia mantém essa expectativa mesmo com a revisão mais longa.
O centro da preocupação regulatória é estratégico. A fusão uniria o império de conteúdo de notícias e esportes da Fox ao sistema operacional dominante da Roku em TVs conectadas — combinação que rivais temem resultar em favorecimento dos próprios canais da Fox na tela inicial, uso privilegiado dos dados de publicidade da Roku e tratamento desigual para serviços concorrentes. Um ponto sensível: o canal gratuito e financiado por anúncios da Roku compete diretamente por audiência e conteúdo com a Tubi, serviço de streaming grátis que já pertence à Fox.
Próximos passos
Com o relógio antitruste reiniciado, Fox e Roku agora precisam reunir e entregar a papelada extra ao DOJ antes que a contagem dos 30 dias comece a valer. Até lá, o negócio segue formalmente pausado — sem data certa para o próximo capítulo, mas com o calendário de 2027 ainda de pé, ao menos por enquanto.