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Mercado23 de ago. de 2026, 22:59

DOJ mira a16z por sócios em conselhos de rivais: Databricks e Fivetran

O Departamento de Justiça dos EUA investiga há quase um ano se Ben Horowitz e Martin Casado, sócios da Andreessen Horowitz, violam lei antitruste de 1914 ao sentar nos conselhos de Databricks e Fivetran — hoje concorrentes diretas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Quase um ano. É esse o tempo que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos vem investigando um arranjo de governança que, até pouco tempo atrás, seria visto como rotina no mundo do venture capital: dois sócios da Andreessen Horowitz (a16z) sentando em conselhos de empresas que hoje competem entre si. Ben Horowitz, cofundador da gestora, ocupa cadeira no conselho da Databricks — avaliada em US$ 190 bilhões. Martin Casado, sócio da firma, está no conselho da Fivetran. As duas empresas, apoiadas pela mesma gestora, hoje disputam o mesmo mercado de coleta, organização e análise de dados em escala.

A lei de 112 anos

O gatilho da investigação é a Section 8 do Clayton Act, legislação antitruste promulgada em 1914 que proíbe uma mesma pessoa de servir simultaneamente como diretor em duas corporações concorrentes, quando um acordo entre elas configuraria violação da lei antitruste. É uma norma centenária raramente usada contra firmas de capital de risco — o que torna o caso, segundo reportagem da Axios e do TechCrunch, uma aplicação inédita e desconcertante para o setor.

Como a rivalidade nasceu

O detalhe que complica a defesa da a16z é que Databricks e Fivetran não eram concorrentes diretas quando a gestora fez os investimentos originais. A sobreposição surgiu depois, à medida que as duas escalaram para os mercados uma da outra — a Databricks avançando em pipelines de dados de IA com o produto Lakeflow, por exemplo. O caso ganhou outra camada em junho de 2026, quando a própria Fivetran absorveu a dbt Labs — negócio que também tinha Casado no conselho e que passou por revisão de meses do DOJ antes de ser aprovado sem condições. A investigação sobre os assentos cruzados foi aberta na mesma época da análise da fusão e segue em curso mesmo após o negócio ter sido concluído.

Quem perde com isso

Para o setor de VC, o precedente é o que realmente assusta. Uma possível saída é uma barreira formal impedindo troca de informação confidencial entre Horowitz e Casado sobre seus respectivos portfólios. Mas, se o DOJ forçar a saída de um dos dois de algum conselho, o recado para o mercado é direto: fundadores podem passar a enxergar assento de conselho de VC como algo de menor valor, justamente pelo risco de conflito futuro conforme suas startups crescem e passam a pisar no terreno de outras empresas do mesmo portfólio. Investidores de VC consultados por reportagens do setor dizem estar surpresos com o escrutínio — sinal de que a lógica de investir em adjacências e gerenciar conflitos depois pode estar com os dias contados.

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