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Mercado29 de out. de 2026, 15:41

Dona da Telecom Italia diz que TIM Brasil é lucrativa, mas não é prioridade

A Poste Italiane afirma que a operação brasileira da TIM gera caixa e não está à venda, mas será usada "taticamente" enquanto o foco segue na Itália.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Lucro reconhecido, mas sem lugar na estratégia

A TIM Brasil é lucrativa, gera caixa robusto e responde por parcela relevante do lucro operacional da controladora — mas isso não bastou para entrar nos planos estratégicos da nova dona. O CEO da Poste Italiane (a estatal de serviços postais da Itália, que também atua em serviços financeiros, seguros e telefonia móvel), Matteo Del Fante, disse que a operação brasileira "não está à venda" agora, mas será usada "de maneira tática" nos próximos meses, sem detalhar o que isso significa na prática.

A fala chega poucas semanas depois de a Poste Italiane concluir uma oferta bilionária para assumir o controle do Grupo TIM, tornando-se controladora da Telecom Italia e, por tabela, controladora indireta da TIM Brasil. É a única subsidiária estrangeira do grupo, e justamente por isso fica fora do núcleo da nova estratégia: o plano da Poste Italiane é combinar a base corporativa da Telecom Italia com a própria infraestrutura estatal para virar líder em serviços digitais na Itália. O Brasil, por mais que pague as contas, não entra nessa conta.

Quem ganha, quem fica no limbo

Para o acionista minoritário da TIM Brasil, a notícia é ambígua. De um lado, a confirmação de que a operação não está à venda afasta o temor imediato de uma transação apressada ou de um desmonte de ativos. De outro, o rótulo de "não estratégico" associado a "uso tático" costuma ser o primeiro degrau de processos que terminam em desinvestimento, spin-off ou venda de participação relevante — ainda que Del Fante não tenha indicado busca ativa por comprador.

Quem ganha, por ora, é a própria Poste Italiane: extrai caixa de um ativo lucrativo sem precisar justificar capital alocado a ele dentro do racional estratégico apresentado aos investidores europeus. Quem perde é a previsibilidade para o mercado brasileiro, que terá de esperar a nova estratégia de negócios do grupo, prometida para os próximos meses, para entender se "tático" significa manutenção do status quo, redução de aportes ou preparação para uma saída.

A sinalização também reposiciona a TIM Brasil no radar de bancos de investimento: qualquer ativo descrito como lucrativo, mas periférico, dentro de um grupo europeu recém-reestruturado tende a atrair sondagens de potenciais compradores, mesmo sem processo formal aberto.

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