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Ciência30 de set. de 2026, 01:33

Droga triplo-hormonal faz pacientes perderem até 30% do peso em teste

A retatrutide, remédio experimental da farmacêutica Eli Lilly que imita três hormônios ao mesmo tempo, provocou a maior perda de peso já registrada em teste clínico contra obesidade — resultado de fase 3, ainda sem aprovação para venda.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma pessoa de 100 kg perdendo quase 30 kg

É mais ou menos essa a proporção que apareceu no maior teste clínico já feito com a retatrutide, droga experimental contra obesidade da Eli Lilly, multinacional farmacêutica americana também responsável pelo Mounjaro e Zepbound. No estudo de fase 3 batizado TRIUMPH-1, quem tomou a dose mais alta (12 mg, uma vez por semana) perdeu em média 28,3% do peso corporal em 80 semanas de tratamento — e, num subgrupo que seguiu na extensão do estudo até 104 semanas, a perda média chegou a 30,3%.

O que é fato confirmado

O TRIUMPH-1 randomizou 2.339 participantes em 131 centros de pesquisa, em 11 países, divididos entre placebo e três doses da droga (4 mg, 9 mg e 12 mg). Todas as doses testadas superaram o placebo — que reduziu o peso em apenas cerca de 2% — e os resultados foram anunciados pela Lilly e também descritos em publicações médicas revisadas por pares, incluindo o New England Journal of Medicine. Quase metade (45,3%) dos pacientes na dose mais alta perdeu 30% ou mais do peso, patamar até então associado quase exclusivamente à cirurgia bariátrica, não a remédios.

A retatrutide é chamada de agonista triplo porque imita a ação de três hormônios ligados à saciedade e ao metabolismo: GLP-1 e GIP — os mesmos alvos de remédios já no mercado, como a semaglutida (Ozempic/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro/Zepbound) — mais o glucagon, hormônio que a Lilly aposta ser a peça que falta para acelerar ainda mais a perda de peso. Em estudos separados (não numa comparação direta, cabe o alerta), a tirzepatida havia chegado a cerca de 22,5% de perda de peso e a semaglutida a algo entre 14,9% e 17,8%, dependendo da análise.

O que ainda é incerteza

A droga não tem aprovação para venda em lugar nenhum — os resultados divulgados são de teste clínico, e a Lilly ainda precisa submeter os dados a agências regulatórias, como a FDA americana. Efeitos colaterais gastrointestinais (náusea, vômito, diarreia, constipação e desconforto abdominal) apareceram com mais frequência na dose mais alta, e ainda não há dados de segurança em prazos muito mais longos que os dois anos testados até aqui. Também não se sabe ainda o preço final nem a disponibilidade da retatrutide caso ela seja aprovada — nem se o efeito se sustenta com o uso continuado além do período do estudo.

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