
Drones entregam comida e retiram corpos após desastre no Nepal
Exército do Nepal usa frota de drones DJI FlyCart 100 para levar suprimentos a áreas isoladas pela enchente causada pelo colapso de uma geleira, e também para transportar corpos de vítimas de zonas de difícil acesso.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Drones que antes serviam para fotografar o Himalaia agora carregam comida e corpos. É essa a cena registrada no Nepal, semanas depois de uma geleira no pico Langtang Lirung se romper parcialmente e provocar uma enchente devastadora, em 26 de agosto.
A tragédia em números
O desastre já soma 1.369 mortos confirmados e 5.326 pessoas ainda desaparecidas, segundo balanço mais recente. A força da água isolou comunidades inteiras ao longo do vale do rio, cortando estradas e dificultando o acesso de equipes de resgate terrestres.
Comida entregue pelo ar
Na região de Devighat, em Nuwakot, o Exército do Nepal passou a fazer entre 10 e 16 entregas aéreas de ajuda por dia, usando uma frota de quatro drones DJI FlyCart 100, da DJI, fabricante chinesa de drones. Os equipamentos foram doados ao país como parte de um pacote de ajuda humanitária. Em três dias de operação, já haviam entregado 1,5 tonelada de suprimentos emergenciais, incluindo alimentos.
O FlyCart 100 é um drone de carga industrial pesada, capaz de transportar até 85 quilos por vez, com alcance operacional de até 4 quilômetros. Em uma das operações, os drones pousaram mantimentos no topo de um prédio escolar de quatro andares, de onde o presidente do bairro local coordenou a distribuição para os moradores.
Remoção de corpos em áreas de risco
A função mais delicada, porém, foi outra: o transporte de corpos de vítimas presas em áreas de acesso perigoso ou inviável para as equipes de resgate. Sete corpos foram transportados por drone entre os povoados de Devighat-3 e Devighat-5, sob supervisão de pessoal de segurança.
A operação reúne uma equipe de oito integrantes, liderada pela organização de voluntários Hami Nepal, com apoio de profissionais da GarudX, da Polícia do Nepal, do Exército e da Força Policial Armada. Além das entregas e da remoção de corpos, os drones também têm sido usados para inspecionar túneis de hidrelétricas alagados, como o da usina Upper Trishuli-1, onde há cerca de 900 trabalhadores ainda desaparecidos.
Um país com histórico em drones
O uso intensivo desses equipamentos não é acaso: o Nepal já vinha acumulando experiência com drones em operações de mapeamento de risco e busca por sobreviventes em terrenos montanhosos de difícil acesso, know-how que agora se mostra decisivo diante de uma das piores tragédias climáticas recentes do país, atribuída por autoridades ao aquecimento das temperaturas na região do Himalaia.