
Dunlop testa pneu que promete quase 5% de economia de combustível
Testado em laboratório acreditado pelo Inmetro no Paraná e em centro de pesquisa no Japão, o ENASAVE EC350+ da Dunlop reduz 18% da resistência ao rolamento e aponta o caminho da eficiência energética como nova frente de disputa entre fabricantes de pneus.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
São 18% menos resistência ao rolamento. É esse o número que a Dunlop, fabricante japonesa de pneus, usa para sustentar a promessa de quase 5% de economia de combustível com o novo ENASAVE EC350+. O dado não é promessa de folder: saiu de testes feitos em laboratório próprio em Fazenda Rio Grande, no Paraná, acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro, órgão federal brasileiro responsável por certificação e metrologia), e cruzado com ensaios no centro de pesquisa da marca em Kobe, no Japão, seguindo a norma técnica internacional ISO 28580.
O que o número significa
Resistência ao rolamento é a energia que o pneu dissipa a cada volta — e é ela que define, em boa parte, quanto o motor precisa trabalhar para manter o carro andando. Reduzir 18% nesse atrito é o que permite à Dunlop projetar até 4,7% de economia no consumo de gasolina no modelo testado, na dimensão 205/60R16 92H. A conta fechada pela empresa aponta ainda redução de até 180 kg de CO2 emitidos por ano com o uso do pneu.
Não é só economia no tanque. Em testes de durabilidade conduzidos pela TMT Automotiva Engineering, o ENASAVE EC350+ teve vida útil 17,4% maior que a de concorrentes diretos — o equivalente a 12.888 km adicionais de rodagem antes da troca. Em frenagem de 80 km/h até parar, em piso molhado, o pneu percorreu 46,38 metros, 0,6 metro menos que o modelo de referência do segmento.
Quem ganha com isso
Fabio Keity Tamaru, gerente sênior de Qualidade e Tecnologia de Processo da Dunlop, resume o racional por trás do investimento em testar localmente: "laboratório acreditado pelo Inmetro dentro da nossa fábrica é a garantia de que cada ensaio seja feito com competência técnica". A frase é mais estratégica do que parece. Ter certificação própria em solo brasileiro, validada por um órgão federal, é argumento de venda tanto para montadoras quanto para o consumidor final que decide o pneu de reposição.
O movimento da Dunlop confirma uma tendência que já aparece em outros fabricantes: eficiência energética deixou de ser diferencial de nicho e virou campo de disputa direta, puxada pela pressão por metas de emissão e pelo bolso do consumidor pressionado pelo preço do combustível. Quem sai ganhando, no curto prazo, é a própria Dunlop, que reforça posicionamento técnico num mercado brasileiro de pneus historicamente mais sensível a preço do que a tecnologia embarcada. Quem pode perder é o concorrente que não tiver dado equivalente de laboratório credenciado para colocar na mesa — porque, a partir de agora, o argumento de venda não é mais só durabilidade, é quanto o pneu deixa de custar no posto todo mês. O artigo não traz, até o momento, data de lançamento comercial ou preço do modelo no mercado brasileiro.