Dupreeh revela o "anti-tático" que sustentou a era de ouro da Astralis
Ex-jogador dinamarquês e pentacampeão de Major explica o método que blindava a Astralis contra qualquer adversário durante a era dourada do CS.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
O método por trás da dominância
Peter "dupreeh" Rasmussen, ex-jogador dinamarquês e pentacampeão de Major, hoje analista, contou em entrevista ao Dust2 Brasil, durante o evento "Radar em Paris", qual foi, na visão dele, o fator que sustentou a era de ouro da Astralis, organização dinamarquesa que venceu quatro Majors de CS:GO entre 2017 e 2019 — três deles seguidos, um recorde que nenhuma outra equipe alcançou até hoje. Segundo dupreeh, o segredo não estava só na mira ou na comunicação do time, mas em algo mais estrutural: o que ele chama de "anti-tático".
O que era o anti-tático
Dupreeh explicou que a Astralis nunca entrava em uma partida "de improviso", independentemente do adversário. "Colocávamos muito esforço nisso, não importava o rival, sempre íamos com um plano anti-tático. Sempre, sem exceção. Mesmo sendo o time cabeça de chave número um em um IEM contra um time desconhecido, sempre tínhamos um", disse. Segundo ele, o time revisava jogos anteriores dos adversários em busca de padrões — e sempre os encontrava. Um exemplo citado: ao identificar uma fumaça específica lançada pelo rival no lado CT, a Astralis já sabia o que viria a seguir.
O único que dava trabalho
Mesmo com esse nível de preparação, dupreeh reconhece uma exceção: Finn "karrigan" Andersen, capitão que já passou por MOUZ e FaZe. Para ele, karrigan foi "o único que nos dava trabalho, porque trazia variações da mesma coisa" — ou seja, a imprevisibilidade tática do dinamarquês quebrava justamente o modelo que a Astralis usava para prever o jogo dos rivais.
Por que isso ainda importa
A era Astralis, entre 2017 e 2020, segue como referência de organização e preparação no CS competitivo, num momento em que o calendário de CS2 está mais apertado do que nunca, com mais de 20 LANs disputando vagas no Major de Singapura até novembro. O relato de dupreeh reforça uma lição que continua valendo: no CS2 atual, dominar a mira não basta sem um trabalho de estudo por trás.