tech & talk
Gadgets16 de out. de 2026, 09:40

E Ink Kaleido 4: a tela que pode salvar o colorido dos e-readers

A E Ink anunciou a quarta geração da tela Kaleido, sucessora da Kaleido 3 usada em e-readers da Kobo, PocketBook, Boox e no Kindle Colorsoft, prometendo mais cor, contraste e brilho. Vale a pena esperar por ela?

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

Compartilhar

O que mudou na nova geração

A E Ink — fabricante taiwanesa que praticamente domina sozinha o mercado de telas de tinta eletrônica usadas em e-readers — anunciou em 15 de outubro a Kaleido 4, nova geração de sua plataforma de e-paper colorida. É a sucessora direta da Kaleido 3, a tela que equipa boa parte dos leitores digitais coloridos vendidos hoje, incluindo modelos da Kobo, PocketBook, Boox e o Kindle Colorsoft, da Amazon.

No papel, os números chamam atenção: a E Ink promete dobrar o volume de gamut de cor, chegando a mais de 40 mil cores possíveis, além de 15% mais refletância branca (um branco mais limpo, menos acinzentado) e 50% mais contraste. A virada de página e a rolagem de tela ficam 27% mais rápidas, e um novo backplane de TFT de óxido permite reprodução de vídeo a até 18 quadros por segundo — algo impensável nas gerações anteriores de e-paper.

Da especificação para a experiência

Na prática, o que esses números prometem resolver é justamente o calcanhar de aquiles da Kaleido 3: cores lavadas e um fundo de página com aspecto "embaçado" quando havia texto preto sobre branco. Quem já usou um Kobo Libra Colour ou um Kindle Colorsoft sabe do que estou falando — os destaques coloridos em PDFs e quadrinhos funcionam, mas ficam longe do papel impresso ou de uma tela de LCD. Com mais contraste e refletância, a leitura de texto puro deve ganhar nitidez, e as imagens coloridas devem parecer menos "pastel".

Vale notar que a tecnologia continua limitada a uma paleta de 4.096 cores simultâneas — o salto é no volume de gamut (a amplitude de tons reproduzíveis), não necessariamente na quantidade de cores exibidas ao mesmo tempo. É uma melhoria real, mas incremental, não uma revolução.

Primeiro produto e prazo

Quem sai na frente é a chinesa Hanvon, com o tablet de anotações M10C II, primeiro produto do mundo a usar a Kaleido 4 — mas de venda restrita à China. Segundo o CEO da E Ink, Johnson Lee, a e-paper colorida precisa entregar mais do que simplesmente "cor", reforçando o equilíbrio entre cor, brilho e contraste como objetivo central da nova geração.

Para o consumidor brasileiro, a expectativa é de que marcas como Kobo e PocketBook (e talvez a próxima geração do Kindle) levem de um a dois anos para adotar a Kaleido 4 em modelos de leitura popular.

Vale o preço no Brasil?

Ainda não há e-reader com Kaleido 4 à venda, então a pergunta é prematura — mas o histórico ajuda a prever: cada salto de geração da E Ink costuma vir acompanhado de reposicionamento de preço, e os e-readers coloridos já custam bem mais caro que os modelos em preto e branco por aqui, com impostos de importação pesando ainda mais. Se você já pensa em comprar um Kobo Libra Colour ou Kindle Colorsoft hoje, não há motivo para esperar: a Kaleido 4 ainda está de um a dois anos de distância do consumidor final, e a geração atual já resolve bem a leitura do dia a dia.

e inkkaleido 4e-readere-paperkindle colorsoft
Compartilhar