E-Motiv capta £ 1 milhão pra dar câmbio de duas marchas à moto elétrica
Com financiamento de £ 1 milhão do governo britânico, a E-Motiv Shift Systems criou um câmbio de duas marchas para motos elétricas que promete trocar de marcha sem interromper a potência.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A E-Motiv Shift Systems, startup britânica especializada em transmissões para veículos elétricos leves, fechou um projeto de £ 1 milhão, financiado pelo programa Design and Build do Innovate UK, o braço de inovação do governo britânico, pra colocar câmbio de duas marchas em motos elétricas. A ideia ataca um dilema que todo fabricante do setor enfrenta: hoje a moto elétrica usa marcha única, o que obriga a escolher entre aceleração forte na saída ou velocidade máxima mais alta — nunca as duas coisas ao mesmo tempo.
De onde vem a tecnologia
O sistema é batizado de powershift e promete trocar de marcha sem interromper a entrega de potência, o problema clássico de qualquer câmbio mecânico. A base não é nova: vem do Zeroshift, criado há cerca de 25 anos pra motores a combustão e usado pela Aprilia Racing, equipe italiana do MotoGP, na moto RS-GP desde 2015. A novidade da E-Motiv é adaptar esse mecanismo pra veículos elétricos leves, com a primeira marcha otimizada pra arrancada e a segunda, pra manter desempenho em velocidade mais alta.
Quem ganha com isso
No projeto, a E-Motiv tem como parceiros a BSA, centenária fabricante britânica de motocicletas, a Universidade de Bath e o IAAPS, instituto de pesquisa em sistemas de propulsão automotiva ligado à própria universidade. Pra fabricantes de moto elétrica, a promessa é dupla: motor rodando mais tempo na faixa de eficiência ideal e liberdade pra calibrar o caráter da troca de marcha conforme o uso, de moto urbana a modelo de performance. Quem banca a conta, por ora, é o contribuinte britânico, via fundo público de inovação.
O que falta provar
A tecnologia ainda não rodou na rua: a E-Motiv vai mostrar o sistema na EICMA 2026, a maior feira de motos do mundo, que acontece em Milão entre 3 e 8 de novembro, e só deve iniciar os testes com a moto de demonstração, batizada de Demo 1, no primeiro trimestre de 2027. Até lá, os números de ganho de aceleração e eficiência seguem sendo promessa de fabricante, não resultado medido em pista.