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Gadgets26 de out. de 2026, 22:45

É seguro deixar o carro elétrico carregando a noite toda?

Diferente dos celulares da década passada, os elétricos têm um sistema de gerenciamento de bateria que corta a recarga automaticamente — mas o percentual ideal muda de carro para carro.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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A especificação que resolve a dúvida

O componente que faz a diferença chama BMS — Battery Management System. É esse sistema que monitora tensão, temperatura, corrente elétrica e estado de carga de cada célula da bateria em tempo real e, ao atingir o percentual programado, interrompe a recarga sozinho. Fabricantes como Tesla, Volvo, Hyundai, Chevrolet e a BYD, montadora chinesa que se tornou uma das maiores fabricantes de carros elétricos do mundo, confirmam que deixar o veículo ligado ao carregador a noite inteira não é um risco, desde que a instalação elétrica esteja dentro das normas e o carregador seja homologado.

Nada a ver com o celular de dez anos atrás

A comparação óbvia é com a bateria do notebook ou do smartphone — aquela crença de que ficar na tomada a noite toda "vicia" a bateria. Não é bem assim nem lá, mas nos carros elétricos a diferença é de geração: o BMS automotivo é mais sofisticado que o circuito de proteção de um aparelho portátil, e corta a energia antes que haja sobrecarga, sobreaquecimento ou descarga excessiva. Pela mesma lógica do Department of Energy dos EUA, seguindo as práticas recomendadas de carregamento a degradação fica entre 2% e 3% ao ano — depois de 8 a 10 anos de uso, a bateria ainda mantém de 70% a 80% da capacidade original.

O percentual ideal muda com a química da bateria

Aqui está o detalhe que separa os carros: baterias de níquel (NMC), usadas por Tesla, Volvo e Hyundai, pedem recarga limitada a algo entre 80% e 90% no dia a dia, reservando os 100% só para viagens longas. Já baterias de fosfato de ferro (LFP), como a do BYD Dolphin Mini, se beneficiam de recargas completas periódicas — isso recalibra a leitura do sistema e evita que o painel erre a estimativa de autonomia.

Vale a troca de hábito no Brasil?

Para quem troca de um carro a combustão para um elétrico, o hábito de carregar durante a noite tende a ser mais barato (tarifa fora de ponta) e não exige nenhum cuidado extra além de usar um carregador homologado e verificar a instalação elétrica da garagem. O que falta é cada fabricante publicar de forma mais clara, no manual em português, qual o percentual ideal para o modelo específico vendido no Brasil — hoje essa informação fica espalhada entre comunidades de proprietários e sites internacionais.

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