
Eclipse lunar parcial 'quase total' cobre 96% da Lua nesta semana
Na noite de 27 para 28 de agosto, a sombra da Terra vai encobrir mais de 90% do disco lunar em todo o Brasil. Especialista explica o fenômeno e quando vem o próximo eclipse total.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine olhar para a Lua cheia e ver quase todo o disco – mais de 9 em cada 10 fatias dele – mergulhado na sombra da Terra, sobrando só uma fina borda iluminada. É isso que o céu do Brasil vai entregar na noite desta quinta-feira (27) para a madrugada de sexta (28): um eclipse lunar parcial tão extenso que se comporta, visualmente, quase como um eclipse total.
O que está confirmado
Foto: reprodução/ndmais.com.br
O fenômeno será visível em todo o território brasileiro. Os horários, em Brasília, são: início da fase parcial às 23h33 (27/08), momento máximo às 1h12 (28/08) e fim da fase parcial às 2h51 (28/08).
Sobre a cobertura, há uma pequena variação entre os números divulgados: parte da cobertura cita 96,2% do disco lunar na sombra mais escura da Terra (a umbra), enquanto outras fontes apontam cerca de 93%. A diferença vem da forma de medir – por área total encoberta ou pela extensão em linha reta do diâmetro da Lua –, mas o consenso é o mesmo: será um eclipse parcial de magnitude muito alta.
O astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, da UFRJ, explica que o evento não será oficialmente um eclipse total, mas vai passar de 90% de cobertura — uma das oportunidades mais próximas para o público brasileiro acompanhar um eclipse de grande magnitude. Já o astrônomo Emerson Roberto Perez recomenda buscar locais com boa visão do horizonte e pouca poluição luminosa para observar o fenômeno a olho nu, sem necessidade de equipamentos.
O que é hipótese
Com tanta área da Lua na sombra da Terra, existe a possibilidade de o satélite ganhar um tom avermelhado ou acobreado durante o pico do eclipse – o efeito que costuma batizar eclipses totais de "Lua de Sangue". Como a cobertura não será completa, a classificação técnica não é essa, mas a aparência observada pode se aproximar bastante dela, dependendo das condições atmosféricas.
Quanto ao próximo capítulo: reportagens do setor indicam que a próxima chance de ver um eclipse lunar total em todo o Brasil só deve vir em 2029, tornando o evento desta semana uma das observações mais relevantes do calendário astronômico brasileiro até lá.
Como observar
Não é preciso telescópio: o eclipse pode ser acompanhado a olho nu, de qualquer ponto do Brasil, desde que o céu esteja limpo e o horizonte, desobstruído.