
Eclipse solar total de 12 de agosto abre janela rara de pesquisa sobre o Sol
Fenômeno visível na Espanha vai durar 1min40s e permitirá que cientistas da ESA e do CEA francês estudem a coroa solar e os ventos solares. A totalidade máxima, de 2min18s, ocorre na Groenlândia e no Atlântico Norte.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Um raro alinhamento para a ciência solar
Na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, um eclipse solar total vai escurecer o céu sobre parte do Hemisfério Norte, criando uma oportunidade rara para cientistas observarem diretamente a coroa solar — a camada mais externa e menos compreendida da atmosfera do Sol. O fenômeno ocorre porque a Lua, embora 400 vezes menor que o Sol, está também 400 vezes mais próxima da Terra, o que permite que ela bloqueie precisamente o disco solar sem encobrir sua atmosfera.
Onde o eclipse será visível
A faixa de totalidade começa no norte da Sibéria, próxima ao Polo Norte, atravessa o Ártico e o Atlântico Norte, passando por parte da Groenlândia e da Islândia, até atingir o norte da Espanha e o nordeste de Portugal — únicas regiões de solo europeu continental onde o eclipse será total. Nessas áreas, a totalidade deve durar cerca de 1 minuto e 40 segundos. Já o ponto de maior duração do fenômeno, com até 2 minutos e 18 segundos de escuridão total, ocorre sobre a Groenlândia, a Rússia e o Atlântico Norte. No restante da Europa e em partes da América do Norte e da África, o eclipse será apenas parcial.
O que os cientistas pretendem descobrir
Foto: reprodução/science.nasa.gov
A Comissão de Energia Atômica da França (CEA) vai aproveitar a passagem da sombra lunar pela Espanha para estudar os mecanismos físicos por trás da atividade solar, com o astrofísico Allan Sacha Brun à frente da pesquisa sobre a coroa. Já a Agência Espacial Europeia (ESA) vai concentrar esforços na análise dos ventos solares, com participação da diretora de ciência Carole Mundell e de Miho Janvier, co-investigadora da missão Solar Orbiter.
O eclipse natural também serve como preparação para a missão Proba-3 da ESA, que usa três espaçonaves posicionadas em formação para criar eclipses artificiais no espaço, e para o projeto futuro MESOM, que pretende acompanhar a sombra da Lua por um período prolongado. A física solar Lucie Green, da University College London, integra a equipe da missão MESOM e participará das observações de agosto.
Por que a coroa solar importa
A coroa só pode ser observada da Terra a olho nu durante eclipses totais, quando o disco solar é completamente coberto. Entender seu comportamento é essencial para prever tempestades solares, que podem afetar satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra — tornando o eclipse de agosto não apenas um espetáculo visual, mas uma ferramenta científica de curta duração e alto valor.
Atualização (06/08, 09:39): Atualização (06/08/2026): O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 não será visível no Brasil — nem mesmo em sua fase parcial. Segundo mapas oficiais da NASA e demais fontes especializadas, a sombra da Lua vai se concentrar no Hemisfério Norte, atingindo apenas regiões remotas do Ártico, Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e um pequeno trecho de Portugal, onde o fenômeno será total. Já a fase parcial poderá ser observada no restante da Europa, no norte da África e na porção leste da América do Norte, áreas que também não incluem o território brasileiro.
Para quem estiver no Brasil, a alternativa será acompanhar o evento por transmissões ao vivo pela internet, com cobertura prevista pela NASA e pela Agência Espacial Europeia (ESA) em seus canais oficiais. O eclipse terá início às 12h34 (horário de Brasília), no Oceano Ártico ao norte da Sibéria, e se encerrará por volta das 16h55, no Mar Mediterrâneo a oeste da Itália — cerca de 4h20 de duração total, com o ponto de maior totalidade (2 minutos e 18 segundos de escuridão) ocorrendo próximo à costa oeste da Islândia.
O próximo eclipse solar total com visibilidade no Brasil está previsto apenas para 12 de agosto de 2045, quando a faixa de totalidade deve cruzar as regiões Norte e Nordeste do país.