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Ciência09 de ago. de 2026, 18:46Atualizada em 10 de ago. de 2026, 09:42

Eclipse solar total pode levar séculos para repetir no mesmo lugar

A sombra de um eclipse total varre uma faixa estreita da Terra a cada passagem — e o mesmo ponto do planeta pode esperar até 800 anos para ver o fenômeno de novo.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: 360 anos de espera, em média

A sombra de um eclipse solar total tem entre 100 km e 200 km de largura — uma faixa fina que corta a superfície da Terra em poucos minutos. Segundo dados da Nasa, isso faz com que qualquer ponto específico do planeta veja o fenômeno, em média, a cada 375 a 400 anos. Londres ficou 837 anos sem repetir a experiência: o último eclipse total visto por lá antes de maio de 1715 havia ocorrido em 878.

O que está confirmado: o ciclo de Saros não cai no mesmo lugar

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Eclipses se repetem em "famílias" a cada 18 anos, 11 dias e 8 horas — o Ciclo de Saros, catalogado por astrônomos babilônios muito antes de existir explicação física para o fenômeno. O detalhe está nas 8 horas extras: nesse intervalo a Terra segue girando, o que empurra o eclipse seguinte da mesma família para cerca de 120 graus de longitude a oeste do anterior. Como resultado, o mapa de cada família de eclipses vai mudando de local a cada 18 anos, e são necessários três ciclos completos (54 anos, chamados de Exeligmos) para o fenômeno voltar a cair perto da mesma faixa geográfica.

Exceções que confirmam a regra

Nem toda região segue a média. A Espanha ficou 120 anos e 348 dias sem eclipse total, entre 1905 e seu registro mais recente, segundo o jornal El País. Já Angola viu dois eclipses totais em apenas 18 meses, entre 2001 e 2002, e Carbondale, no estado americano de Illinois, repetiu a experiência em só 7 anos — 2017 e 2024. A explicação está na geometria de cada família de Saros: algumas cruzam repetidamente latitudes próximas, outras se afastam para hemisférios opostos.

O que ainda é hipótese

Cálculos de frequência futura dependem de projeções orbitais de longo prazo, sujeitas a pequenas variações que se acumulam ao longo de séculos — por isso astrônomos tratam previsões acima de mil anos como estimativa, não certeza. Para quem quer ver o fenômeno de novo sem esperar gerações, a alternativa é viajar: a rota de um eclipse total só volta a cruzar um local específico depois de décadas, às vezes séculos.


Atualização (10/08, 09:42): Atualização: A NASA confirmou uma ampla campanha científica para estudar o eclipse solar total desta semana, que poderá ser observado por mais de 15 milhões de pessoas na faixa de totalidade. A agência vai usar um avião WB-57, voando a cerca de 15,2 km de altitude para acompanhar a sombra da Lua, equipado com quatro câmeras de alta resolução capazes de capturar ao menos 20 imagens por segundo em diferentes comprimentos de onda. O objetivo é estudar a coroa solar e suas proeminências, além de investigar por que essa camada da atmosfera do Sol atinge cerca de 1 milhão de graus.

Além da aeronave, a NASA vai apoiar o lançamento de 80 balões científicos na Islândia — antes, durante e depois do eclipse — e mais 6 balões na Espanha equipados com câmeras 360°, para medir mudanças na camada limite atmosférica e nos níveis de ozônio terrestre causadas pela redução súbita de luz solar. Segundo o pesquisador da NASA Amir Caspi, "o Sol está sempre mudando", e cada eclipse é uma oportunidade de aprender a observar melhor o próximo.

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