
Eclipse total, Perseidas e anomalia magnética marcam a semana da ciência
Espanha viveu seu primeiro eclipse solar total desde 1905 na mesma semana em que as Perseidas chegaram ao pico e cientistas monitoram a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, que afeta o Brasil e ameaça satélites.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: imagine o dia virando noite por pouco mais de dois minutos, o suficiente para ver estrelas ao meio-dia e depois voltar à rotina normal. Foi o que aconteceu na Espanha em 12 de agosto de 2026, no primeiro eclipse solar total a cruzar o país continental desde 1905 — e a semana de ciência do Olhar Digital reuniu esse fenômeno a uma chuva de meteoros e a uma anomalia que já é presença constante sobre o território brasileiro.
Eclipse total na Espanha
A sombra da Lua atravessou o norte da Espanha, com a faixa de totalidade passando por cidades como Bilbao, Zaragoza e Valência antes de terminar em Palma de Maiorca. É confirmado que a umbra de um eclipse total costuma ter entre 100 e 200 km de largura, seguindo o chamado Ciclo de Saros — um intervalo de aproximadamente 18 anos, 11 dias e 8 horas que faz eclipses semelhantes se repetirem.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O Brasil não fica de fora da conta: o próximo eclipse total a passar pelo país está previsto para 12 de agosto de 2045, atravessando o Norte e o Nordeste com mais de 4 minutos de totalidade — bem mais longo que o evento espanhol. Antes disso, em 2 de agosto de 2027, um novo eclipse total passará por Espanha, norte da África, Oriente Médio e oceano Índico; o Brasil verá apenas uma fase parcial, no Rio Grande do Norte, cobrindo menos de 1% do disco solar.
Perseidas no pico
Foto: reprodução/esa.int
Na mesma virada de 12 para 13 de agosto, a chuva de meteoros Perseidas atingiu seu pico anual, com radiante na constelação de Perseu. É consequência da Terra cruzando os detritos deixados pelo cometa 109P/Swift-Tuttle, fenômeno que se estende de meados de julho a fim de agosto. A Lua nova no primeiro dia do pico favoreceu a observação, sobretudo no Hemisfério Norte — no Brasil, a visibilidade é bem mais discreta.
A anomalia que já mora aqui
Diferente dos outros dois eventos, a Anomalia Magnética do Atlântico Sul não é passageira: é uma região onde o campo magnético terrestre é mensuravelmente mais fraco que em outras partes do planeta, cobrindo parte da América do Sul — incluindo o Brasil — e do oceano Atlântico Sul. Segundo o pesquisador Gelvam André Hartmann, do Departamento de Geologia e Recursos Naturais da Unicamp, ouvido pelo Olhar Digital, o fenômeno tem impacto direto sobre a exploração espacial, já que satélites que cruzam a região ficam mais expostos à radiação.
A reportagem original não detalha percentuais de intensidade nem área exata da anomalia — dado que caberia a estudos específicos, não à cobertura semanal. O que fica confirmado é o quadro geral: um fenômeno raro no céu europeu, um espetáculo cíclico de meteoros e uma característica persistente — e ainda sob investigação — do campo magnético que envolve o Brasil.
Atualização (17/08, 18:47): O eclipse solar total ocorrido na quarta-feira (12), que fascinou observadores na Europa, também foi registrado a partir do espaço. Os satélites meteorológicos Meteosat-12, da Agência Espacial Europeia, e GOES-19 flagraram o fenômeno em órbita geoestacionária, a mais de 30 mil quilômetros de altitude, rendendo fotos e vídeos do evento.
As imagens em timelapse mostram o deslocamento da sombra da Lua sobre a superfície terrestre até o "terminador", a linha que separa o dia da noite no planeta.