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Mercado05 de out. de 2026, 09:38

Economia? Por que alguns carros chineses não têm limpador traseiro?

Modelos de marcas chinesas em expansão acelerada no Brasil chegam repletos de tecnologia, mas sem o simples limpador de vidro traseiro — e a explicação mistura aerodinâmica e corte de custos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Zero no limpador, mesmo com pacote de tecnologia completo

Modelos de marcas chinesas em expansão acelerada no Brasil — como BYD Dolphin Mini, Geely EX2, Leapmotor B10, Caoa Changan Uni-T e GWM Ora 03 — chegaram ao país carregados de equipamentos (central multimídia grande, assistentes de condução, bancos elétricos), mas deixaram de fora um item que até carro popular nacional costuma ter: o limpador de vidro traseiro.

A explicação é aerodinâmica, não só economia

Foto: reprodução/autopapo.com.br

O motivo técnico está no desenho da carroceria. Hatches com traseira truncada, como esses modelos chineses, geram uma turbulência aerodinâmica que faz a sujeira se acumular no vidro de trás. Já sedãs e cupês, com vidro traseiro mais inclinado, resistem melhor ao acúmulo de poeira e água por efeito do próprio fluxo de ar — por isso dependem menos do limpador.

E também é redução de custo

Além do argumento aerodinâmico, cada componente retirado representa economia direta para o fabricante e redução de peso do veículo, o que ajuda a baixar o consumo de energia — um ponto sensível para elétricos, que precisam esticar ao máximo a autonomia da bateria. Juntar os dois motivos ajuda a entender por que a omissão se repete em vários modelos chineses recentes, mesmo em carros bem equipados.

Não é ilegal, mas incomoda o motorista

Pela Resolução 912 do Contran, o limpador traseiro não é item obrigatório — apenas o dianteiro é exigido por lei, sob pena de multa por infração grave. Ou seja, rodar sem o componente não gera multa. Na prática, porém, o hábito já estava consolidado até em carros de entrada nacionais, e sua ausência pega o consumidor de surpresa. A saída recomendada é aplicar produtos hidrofóbicos no vidro traseiro, que repelem água e sujeira e facilitam a visibilidade sem precisar instalar o item.

Quem ganha e quem perde

As montadoras chinesas ganham margem e eficiência energética ao cortar o item, num momento em que ocupam posições de destaque nas vendas de elétricos no Brasil. Quem perde é o consumidor que troca de carro nacional para um modelo chinês e se depara com uma funcionalidade básica a menos — tendo que recorrer a soluções paliativas para resolver um problema que, até pouco tempo, nem era problema.

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