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MercadoCiência13 de out. de 2026, 01:19

Efferon leva tecnologia de purificação de sangue ao Battlefield 200

A startup europeia Efferon, que trata sepse pediátrica com hemoadsorção, foi selecionada para o Battlefield 200 do TechCrunch Disrupt 2026. A empresa já tem aprovação CE MDR e projeta US$ 2 milhões em receita anualizada até o fim do ano.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 3 milhões de mortes por ano

A sepse mata cerca de 3 milhões de crianças menores de cinco anos todos os anos no mundo, segundo dados citados pela própria empresa. É esse problema que a Efferon, startup europeia de tecnologia médica fundada a partir de pesquisas da Moscow State University (uma das principais universidades da Rússia), decidiu atacar com um dispositivo de purificação de sangue voltado especificamente para pacientes pediátricos.

A companhia foi selecionada para o Startup Battlefield 200, a competição de pitches do TechCrunch Disrupt (evento anual do site americano TechCrunch que reúne startups, investidores e mídia para disputar prêmio e visibilidade), que reúne 200 startups early-stage em San Francisco entre 13 e 15 de outubro de 2026. Apenas 20 delas sobem ao palco principal para pitches de seis minutos — histórico que já revelou nomes como Dropbox, Cloudflare e Discord.

Foto: reprodução/techcrunch.com

A tecnologia: filtrar duas ameaças ao mesmo tempo

O carro-chefe da Efferon é um dispositivo de hemoadsorção (técnica que remove toxinas e substâncias inflamatórias do sangue por filtragem extracorpórea) capaz de absorver simultaneamente endotoxinas e citocinas — os dois principais gatilhos da resposta inflamatória descontrolada que caracteriza a sepse. A diferenciação em relação a concorrentes está justamente nesse modo duplo de ação.

O produto para o público infantil, batizado Efferon NEO, foi projetado considerando o menor volume de sangue circulante das crianças, uma limitação técnica que impede o uso direto de equipamentos pensados para adultos. Em abril de 2026, o dispositivo recebeu o CE MDR mark — certificação europeia equivalente à aprovação da FDA americana —, tornando-se o primeiro dispositivo multimodal de purificação sanguínea aprovado para uso pediátrico na Europa.

Quem toca o negócio e os múltiplos que aparecem

A Efferon é liderada por Dima Romashin, CEO e empreendedor em série que assumiu o comando da empresa no início de 2026, e por Ivan Bessonov, cientista da Moscow State University e cofundador responsável pela origem acadêmica da tecnologia.

Em maio de 2026, a startup levantou €2,5 milhões junto a investidores privados da região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça), recursos destinados à construção de uma nova unidade de produção na União Europeia e à expansão da capacidade de manufatura. A tecnologia já está em uso em 30 países, incluindo hospitais na Europa, Arábia Saudita e Tailândia, e a projeção da empresa é fechar 2026 com US$ 2 milhões em receita anualizada.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha é o nicho ainda pouco atendido de terapias intensivas pediátricas, onde faltam dispositivos de hemoadsorção dimensionados para o corpo infantil — e a própria Efferon, que ganha vitrine global antes mesmo de buscar aprovação nos Estados Unidos, processo que a empresa diz estar preparando junto à FDA. Quem fica pressionado são os fabricantes de dispositivos de hemoadsorção genéricos, que atuam só no eixo de endotoxinas ou só no de citocinas, e agora disputam espaço com um concorrente que promete resolver as duas frentes com um único equipamento certificado para crianças.

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