
Eka vale US$ 1,45 bi com robô que supera humanos em velocidade
A Eka Robotics levantou uma Series A de US$ 150 milhões liderada por a16z e F-Prime, alcançando valuation de US$ 1,45 bilhão graças a um modelo de IA física que já impressiona especialistas em robótica.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,45 bilhão. Esse é o valuation pós-investimento que a Eka Robotics, startup de inteligência artificial física, conquistou depois de fechar uma Series A de US$ 150 milhões liderada por a16z (Andreessen Horowitz) e F-Prime Capital. O múltiplo é alto para uma empresa que nem saiu do estágio de testes com clientes industriais, mas o motivo aparece rápido: um robô que já supera o desempenho humano em tarefas específicas.
O que a Eka construiu
Fundada por Pulkit Agrawal, professor do MIT, e Tuomas Haarnoja, ex-pesquisador do Google DeepMind — os dois se conheceram na pós-graduação em Berkeley —, a empresa desenvolveu uma arquitetura batizada de "vision-force-action" (visão-força-ação). Na prática, é um gripper (garra robótica) sensível à força, que custa menos de US$ 1.000 para fabricar, combinado a um modelo de deep learning que aprende via simulação física e reforço.
O resultado: o robô consegue apanhar cerca de 1.500 objetos de até 1kg por hora, contra uma média de 600 para um humano, com taxa de sucesso acima de 95%. E faz isso sem precisar de retreinamento a cada novo objeto — o diferencial que tem deixado especialistas do setor impressionados.
Quem valida o hype
Raghu Raguram, da a16z, resumiu o entusiasmo dos investidores: "eles já estão superando o desempenho humano em certas tarefas". Já Kris Hauser, pesquisador da Universidade de Illinois e nome respeitado em robótica, descreveu o "fator wow" da demonstração e a capacidade de adaptação do robô sem retreinamento — elogio raro em um mercado saturado de vídeos promocionais de robôs que nunca saem do laboratório.
Quem ganha e quem perde
A Eka entra numa corrida de IA física que já tem Figure, Physical Intelligence e outras startups de robótica competindo por capital e talento. A aposta da a16z e da F-Prime é que a abordagem baseada em força — e não só em visão ou vídeo, como fazem modelos VLA tradicionais — resolve o problema crônico de manipulação fina que trava a indústria há anos.
O desafio agora é sair do laboratório: a empresa precisa provar que o sistema funciona em linha de produção real, com ciclos de trabalho que saltem de 5 milhões para os 20 milhões de operações consideradas padrão industrial. Até lá, o valuation bilionário é uma aposta nos próximos testes piloto, não em receita recorrente comprovada.