tech & talk
Ciência06 de nov. de 2026, 07:46

El Niño bate recorde histórico de aquecimento no Pacífico em outubro

Monitoramento do Inmet aponta anomalia de 2,47°C na região Niño 3.4 em outubro de 2026, superando a marca de 1982 e configurando o maior aquecimento da série histórica.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Imagine pegar uma faixa do Oceano Pacífico do tamanho de um continente e esquentá-la quase 2,5 graus acima do normal, de uma só vez, em um único mês. É isso que os termômetros oceânicos registraram em outubro de 2026, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o órgão federal responsável por monitorar o clima e o tempo no Brasil.

O que foi medido, de fato

Os números são de monitoramento confirmado, não projeção. Na região Niño 3.4, no Pacífico central — referência padrão para medir a força do El Niño —, a anomalia de temperatura da superfície do mar ficou em 2,47°C acima da média em outubro. É o maior valor já registrado para esse mês desde o início da série histórica, superando o recorde anterior, de 2,07°C, em outubro de 1982.

Na região Niño 3, que cobre o Pacífico central-leste, a anomalia mensal chegou a 3,56°C, e na última semana de outubro atingiu 3,7°C — ultrapassando o recorde semanal anterior, de 3,6°C, registrado em dezembro de 1982. Já na região Niño 1+2, próxima à costa do Peru e do Equador, a anomalia semanal alcançou 4,6°C no fim de outubro, igualando o maior valor da série semanal, observado em junho de 1983.

Recorde confirmado, não previsão

Esses três indicadores juntos levam o Inmet e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU que acompanha o fenômeno em escala global, a classificar o episódio como um aquecimento recorde — o maior já medido para o período em mais de quatro décadas de série histórica, iniciada em 1981.

O que é hipótese, não medição

Aqui começa a parte especulativa, que as fontes tratam como possibilidade, não certeza. O aquecimento do Pacífico altera a circulação do ar na atmosfera e modifica padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil, segundo o Inmet — sem que as fontes detalhem volumes de chuva ou graus de temperatura esperados para cada região. A OMM também aponta que o episódio pode vir a ser um dos mais fortes já registrados, mas isso ainda é algo a ser confirmado pelo monitoramento nos próximos meses, não um dado fechado.

Em resumo: o que está medido é o aquecimento recorde nas três regiões do Pacífico. O que ainda é hipótese é o tamanho do impacto no clima brasileiro — e é isso que os meteorologistas continuam observando.

el niñoclimaaquecimento globaloceano pacíficometeorologia
Compartilhar