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Ciência08 de set. de 2026, 10:27

El Niño "muito forte" ameaça intensificar chuvas e secas no Brasil

Pesquisadores do Cemaden e parceiros apontam mais de 90% de chance de o El Niño 2026-2027 atingir intensidade muito forte, com chuvas extremas no Sul, agravamento da seca no Norte e Nordeste e mais calor no Centro-Oeste. Governo já reservou R$ 1,335 bilhão para resposta aos impactos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagina o Rio Grande do Sul debaixo de chuvas seguidas, ao mesmo tempo em que a Amazônia enfrenta rios secos e o Centro-Oeste bate recordes de calor. É esse o cenário que pesquisadores brasileiros descrevem para o restante de 2026, com o El Niño ganhando força mês a mês.

O que está confirmado: segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, órgão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação que monitora riscos climáticos no país), o fenômeno El Niño 2026-2027 já está estabelecido e mostra sinais de intensificação. A probabilidade de o evento atingir a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro deste ano passa de 90%, conforme boletim conjunto de Cemaden, Inmet, Inpe, ANA, SGB, Defesa Civil Nacional e Censipam.

O que é projeção, não fato consumado: os impactos regionais. No Sul, sistemas frontais mais intensos já produzem chuvas acima da média, com risco de inundações, enchentes e deslizamentos de terra. Já no Norte e no Nordeste, a expectativa é de precipitação abaixo do esperado, aprofundando secas em curso: em julho, 157 municípios já estavam em situação de seca severa, quadro que pesquisadores classificam como mais intenso do que o registrado em 2023. No Centro-Oeste, a leitura é de mais calor e baixa umidade, com maior propensão a incêndios florestais.

O que dizem os pesquisadores

Regina Célia dos Santos Alvalá, diretora do Cemaden, e José Antônio Marengo, coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento da instituição, reforçam que "o risco não é apenas meteorológico" — os efeitos se espalham para agricultura, geração de energia, abastecimento hídrico, logística e saúde pública. O meteorologista Marcelo Seluchi também assina o alerta, publicado a partir de boletins técnicos que cruzam dados da Organização Meteorológica Mundial e da NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos que monitora o El Niño globalmente.

Preparação em andamento

O governo federal já destinou R$ 1,335 bilhão para ações de prevenção, preparação e resposta aos impactos do fenômeno, envolvendo Defesa Civil, SUS e Embrapa, entre outros órgãos. No setor elétrico, 1,8 gigawatt foram adicionados ao Sistema Interligado Nacional a partir de 1º de setembro, reforço pensado para lidar com a maior demanda em cenários de calor extremo.

Para efeito de comparação, o país registrou sete ondas de calor associadas ao El Niño em 2015-2016 e nove em 2023-2024 — números que ajudam a dimensionar por que a resposta institucional deste ano está sendo tratada como prioridade em múltiplas frentes de governo.

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