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IA23 de out. de 2026, 10:12Atualizada em 25 de out. de 2026, 06:37

Eleições 2026: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para IA e data centers

Planos de governo dos dois candidatos ao segundo turno divergem no grau de intervenção do Estado sobre inteligência artificial e soberania digital, mas convergem em pontos como expansão de data centers e uso de IA em serviços públicos. Especialistas avaliam prós e contras de cada caminho.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O motor, a pista e as empresas

Se você já tentou comparar dois planos de celular cheios de letras miúdas, sabe como é difícil separar o que é promessa de campanha do que é, de fato, política pública. Com os planos de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno, o exercício é parecido — só que em vez de gigabytes, o assunto é quem vai construir a infraestrutura de inteligência artificial do país. José Batista Queiroz Filho, CEO da JBQ.Global, resume bem: "o Brasil precisa do motor, da pista e, principalmente, de empresas". Cada candidato aposta num pedaço diferente dessa equação.

Dois jeitos de pensar IA

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Lula propõe um Centro Nacional de Transparência Algorítmica, regras para proteger criadores de conteúdo e artistas, e o uso de IA em áreas como triagem de pacientes do SUS e uma plataforma pública de empregabilidade. Já Flávio Bolsonaro aposta no assistente virtual "ClarIA", no reconhecimento facial e no uso de IA e drones no combate a facções criminosas, além de incentivos a pequenas empresas. Em bom português: um propõe mais trilhos (regras, conselhos, centros de monitoramento), o outro propõe mais motor (aplicações práticas e rápidas, com menos regulação prévia). Lucas Reis, professor-doutor em Comunicação e pesquisador do INCT.DD, compara a divisão a modelos internacionais — a proposta de Flávio se aproxima da postura americana, mais liberal, enquanto a de Lula ecoa a abordagem europeia, mais regulatória. Para ele, porém, "ambas têm se mostrado muito difíceis de implementar" no mundo real.

Data centers: energia limpa dos dois lados

No campo dos data centers, há convergência inesperada: os dois programas falam em energia limpa. Lula quer exigência progressiva de fontes renováveis, estudos de impacto ambiental e hídrico, e contrapartida de processamento para instituições brasileiras. Flávio Bolsonaro quer posicionar o Brasil como "polo global de data centers sustentáveis", com redução de impostos sobre energia e desburocratização do licenciamento ambiental, priorizando o Nordeste. A diferença está no tempero: um quer mais condicionantes, o outro quer menos barreiras de entrada.

Soberania digital: retórica ou prática?

Em soberania digital, Lula propõe um Conselho Nacional com a sociedade civil e submissão de plataformas às leis brasileiras; Flávio aposta em patentes nacionais e defesa irrestrita da liberdade de expressão, rejeitando estruturas estatais de moderação de conteúdo. Thiago Muniz, professor da FGV, pondera que "regulamentar e não criar barreiras não são necessariamente incompatíveis" — a diferença real está no tamanho da intervenção estatal. Já Lucas Reis lembra que o Brasil ainda é um país secundário no desenvolvimento tecnológico global, o que torna qualquer discurso de soberania absoluta mais retórico do que prático, qualquer que seja o vencedor em outubro.


Atualização (25/10, 06:37): Os dois candidatos ao segundo turno concordam que IA e data centers são prioridade, mas discordam sobre o papel do Estado na regulação e nas terras raras.

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