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Smart CitiesMercado06 de out. de 2026, 21:31

Element Pro: funcionários da UE detonam app "soberano" que troca o Teams

A Comissão Europeia adotou o Element Pro como alternativa ao Microsoft Teams para reduzir dependência de tecnologia dos EUA, mas funcionários classificaram a ferramenta em fórum interno como "uma porcaria completa".

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Uma alternativa "soberana" que não está agradando

Se você trabalha em qualquer repartição pública brasileira, já deve ter ouvido a promessa de "migrar para software livre e reduzir dependência de gigante estrangeira". Pois a Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia, está vivendo esse dilema na prática — e o resultado, por enquanto, não é bonito.

Desde o verão europeu de 2026, a Comissão passou a disponibilizar aos seus times o Element Pro, ferramenta de mensagens, chamadas de voz e vídeo e compartilhamento de arquivos criada pela empresa britânica Element, como "backup" ao Microsoft Teams. A ideia é simples: hospedar a comunicação em servidores próprios da instituição, e não na nuvem da Microsoft, para garantir que a Comissão continue funcionando mesmo se um dia os EUA decidirem cortar o acesso a serviços americanos.

O que os funcionários estão dizendo

E aqui é onde a teoria encontra a fila do RH. Segundo reportagem do Politico, replicada pelo Tecnoblog, servidores da Comissão desabafaram em fórum interno sobre o novo app. Um funcionário classificou a ferramenta como "uma porcaria completa". Outro escreveu que não via "valor agregado" na mudança. Um terceiro foi mais cáustico: segundo ele, se a disputa tecnológica com os Estados Unidos fosse mesmo uma guerra, os americanos "venceriam instantaneamente".

O CEO da Element, Matthew Hodgson, respondeu que resistência é normal em qualquer troca de ferramenta, ainda mais vindo de um programa tão entranhado no dia a dia quanto o Teams.

Vale a pena perguntar: quanto custou, e para quem funciona

Fico pensando no que isso significa pra quem paga a conta — no caso, o contribuinte europeu, mas o debate é idêntico ao que já vemos em prefeituras e governos estaduais brasileiros tentando trocar Windows e Office por soluções abertas. O Element roda sobre o Matrix, protocolo de código aberto já adotado por outros governos, como a França e as Forças Armadas alemãs, além da Otan. Ou seja, não é uma aposta isolada nem um software desconhecido no setor público — mas isso não garante boa experiência de uso logo de cara.

As fontes consultadas não trazem o valor do contrato nem o cronograma de expansão do projeto, e a Comissão não sinalizou abandonar a iniciativa apesar das críticas. Ficam as perguntas que todo usuário de serviço público deveria fazer: quanto este "plano B" custou aos cofres da UE, quem testou a ferramenta antes de distribuí-la a milhares de funcionários, e existe prazo para resolver os problemas relatados — ou o Teams simplesmente continua sendo usado por baixo do pano, como já acontece em tantos projetos de "migração" que nunca migram de verdade?

Por ora, o caso europeu funciona como um alerta: trocar fornecedor por razões geopolíticas é decisão legítima, mas só se sustenta se a alternativa realmente funcionar no dia a dia de quem precisa marcar uma reunião ou mandar um arquivo às pressas.

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