
Elevador de 288 m na China corta trajeto de crianças à escola para 30 min
Um elevador de 288 metros embutido em penhasco reduziu de até 3 horas para cerca de 30 minutos o trajeto de estudantes e moradores de Nizhuhe, na China, até a escola no topo do cânion. A obra, de cerca de R$ 52 milhões, é gratuita para a população local.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quem mora em Nizhuhe, vilarejo encravado no fundo de um cânion na província de Yunnan, no sudoeste da China, sabe o preço de uma trilha íngreme: até três horas de caminhada só para chegar à escola no topo do penhasco. Desde 31 de julho de 2026, esse trajeto caiu para cerca de 30 minutos, graças a um elevador de 288 metros de altura embutido na rocha, batizado de "Escada Fuyao".
O que muda no dia a dia
O novo elevador funciona junto com uma estrutura mais antiga, a "Escada Qingyun", inaugurada em 2022. Juntos, os dois equipamentos têm capacidade para transportar 1.200 pessoas por hora. Ao sair do elevador, ainda é preciso pegar um teleférico, que leva mais cinco minutos até o portão da escola.
Antes das obras, a caminhada por trilhas de terra ao longo da encosta era o único caminho possível para estudantes e moradores — um trajeto que, segundo o veículo estatal chinês Global Times, podia levar até seis horas em um dia de ida e volta.
Quanto custou e quem paga a conta
O custo de construção foi de aproximadamente 68 milhões de yuans, o equivalente a cerca de R$ 52 milhões. O acesso ao elevador é gratuito para estudantes e moradores da região — o que levanta a pergunta que não pode ficar de fora: se o uso é gratuito para quem mora ali, o retorno financeiro da obra deve vir do turismo, já que a estrutura de vidro com visão de 360 graus também atrai visitantes de fora. As fontes consultadas não detalham o modelo de cobrança para turistas nem quem fiscaliza a manutenção do equipamento a longo prazo.
Mais gente pode visitar o cânion
Com os dois elevadores operando lado a lado, a capacidade diária de visitantes ao cânion do Rio Nizhu saltou de 4 mil para 15 mil pessoas. Só a primeira escada, a Qingyun, já havia sido usada quase mil vezes por estudantes até 2025.
Por que isso interessa a outras cidades
O caso de Nizhuhe mostra que infraestrutura de mobilidade não precisa ser sofisticada para mudar vidas: às vezes, o gargalo é geográfico, e a solução é vertical. Fica a pergunta para gestores brasileiros que lidam com comunidades isoladas por relevo ou rios — dos morros do Rio de Janeiro às comunidades ribeirinhas da Amazônia — quanto custaria replicar soluções assim, e se caberia no orçamento de mobilidade urbana de médio porte.