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MercadoIA24 de set. de 2026, 23:09

ElevenLabs dobra valuation para US$ 22 bi em 5 meses

Em tender offer avaliada pela Bloomberg, a ElevenLabs dobrou de valor desde fevereiro. Enquanto isso, seu CEO defende que empresas avisem quando o cliente está falando com uma IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 22 bilhões em cinco meses

US$ 22 bilhões. É esse o valor que investidores atribuíram à ElevenLabs, startup que fabrica vozes sintéticas de IA usadas em call centers, audiolivros e dublagens, segundo reportagem da Bloomberg de julho de 2026 e confirmada pela TechCrunch. O número representa o dobro da avaliação de US$ 11 bilhões que a empresa havia fechado apenas cinco meses antes, em fevereiro, num Series D de US$ 323,5 milhões liderado pela Sequoia Capital, com participação de Andreessen Horowitz, BlackRock, NVIDIA e ICONIQ Growth.

Diferente de uma rodada tradicional, trata-se de um tender offer: uma venda secundária de ações que permite a funcionários e investidores antigos embolsar dinheiro, sem captação de capital novo para o caixa da empresa. Fundada em 2022 pelo CEO Mati Staniszewski e por Piotr Dabkowski, a ElevenLabs já levantou mais de US$ 780 milhões ao longo de sua história.

O motor por trás do múltiplo

O salto de valuation acompanha a receita. A ElevenLabs fechou 2025 com US$ 350 milhões em receita recorrente anual (ARR), ultrapassou US$ 500 milhões nos primeiros meses de 2026 e hoje opera na casa de US$ 600 milhões de ARR — mais da metade vindo de contas enterprise, segundo a TechCrunch. Entre os clientes citados estão Klarna, que usa a tecnologia para atender 35 milhões de consumidores nos EUA, além de Deutsche Telekom, Cisco, Adobe, Boston Consulting Group e Revolut. Governos, incluindo os do Brasil e da Polônia, também aparecem na carteira de clientes.

Quem ganha com essa curva é claro: fundadores, funcionários e fundos que entraram cedo, agora com liquidez num mercado de IA de voz que compete diretamente com OpenAI e Google. Quem perde — ou pelo menos precisa se adaptar rápido — são as empresas que usam essas vozes sem avisar o consumidor do outro lado da linha.

Transparência como pauta, não como regra

É nesse ponto que entra a fala mais citada da entrevista à TechCrunch. Staniszewski defende que, por ora, empresas devem informar quando o cliente está falando com uma IA: "acho que deveria haver essa comunicação neste momento. Atualmente, as pessoas não estão acostumadas com isso", disse o executivo. Ele aposta que, em cerca de cinco anos, agentes de voz por IA serão tão comuns que o aviso deixará de ser necessário — mas sugere, hoje, dar ao cliente a opção de esperar por um atendente humano.

O CEO também reconheceu um efeito colateral do próprio sucesso: a ElevenLabs já vê ex-clientes, como a startup Decagon, treinarem produtos concorrentes em cima de sua tecnologia. Staniszewski mencionou ainda a possibilidade de abrir capital em até dois ou três anos, embora sem cronograma fechado. Por enquanto, o sinal para o mercado é o valuation: dobrar em menos de meio ano coloca a ElevenLabs entre as apostas mais quentes do ciclo de IA generativa aplicada a voz.

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