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IA26 de out. de 2026, 22:44

Elvis vs IA: entenda o processo milionário contra a Anthropic

Donos dos direitos de Elvis Presley processam a Anthropic em US$ 41 milhões por usar 274 músicas do Rei do Rock para treinar o Claude sem autorização.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O processo que colocou o Rei do Rock contra a inteligência artificial

Imagine descobrir que uma gravadora pegou 274 das suas canções mais queridas, colocou tudo num liquidificador de dados e usou o resultado para ensinar uma máquina a "cantar" como você, sem pedir licença nem pagar um tostão. É basicamente essa a queixa da Authentic Brands Group, empresa que administra os direitos de imagem e música de Elvis Presley, contra a Anthropic — companhia por trás do assistente de IA Claude, fundada por ex-pesquisadores da OpenAI e conhecida por bandeira declarada de segurança em inteligência artificial.

Os números por trás da ação

Foto: reprodução/faroutmagazine.co.uk

Segundo reportagem da Billboard, confirmada por veículos como Rolling Stone e FarOut Magazine, a ação pede US$ 150 mil de indenização para cada uma das 274 faixas de Elvis supostamente usadas sem permissão no treinamento do Claude. Fazendo a conta, o valor total bate em torno de US$ 41 milhões — cerca de R$ 205 milhões na cotação atual. Entre as músicas citadas no processo estão clássicos como "Can't Help Falling in Love", "All Shook Up" e "A Little Less Conversation".

O que diz a defesa dos herdeiros

O advogado Richard Busch, que representa a Authentic Brands, não poupou adjetivos: segundo ele, a Anthropic "construiu seu modelo de negócios com base em violações de direitos autorais em larga escala". Em bom português, a acusação é a de que a empresa teria alimentado seus modelos com obras protegidas sem licenciar nada, e que os filtros de segurança criados depois da polêmica não resolveriam o problema — o Claude continuaria gerando trechos de letras muito parecidos com os originais, mesmo com pequenas variações.

O outro lado da história

A Anthropic, por sua vez, afirma discordar das acusações e diz que vai se defender "integralmente" no processo. É aqui que mora o cerne da discussão jurídica mais ampla envolvendo IA generativa: treinar um modelo de linguagem com textos e letras disponíveis na internet pode (ou não) ser enquadrado como "uso justo" (fair use), o equivalente a estudar um livro antes de escrever o seu. As empresas de tecnologia defendem que aprender padrões não é igual a copiar; os detentores de direitos autorais argumentam que não houve autorização nem remuneração, ponto final.

Parte de uma onda maior

Este caso não é um ponto isolado no mapa. A Authentic Brands se junta a organizações como RIAA, Sony, Universal e Warner Records, que já movem ações parecidas contra empresas de IA por uso não autorizado de catálogos musicais. O desfecho desses processos deve ajudar a definir, nos próximos anos, as regras do jogo para o treinamento de modelos de IA com conteúdo protegido — um tema que, cedo ou tarde, vai bater na porta de toda empresa que sonha em treinar a próxima grande inteligência artificial.

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