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Ciência13 de out. de 2026, 01:22

Em 1859, uma tempestade solar incendiou estações telegráficas na Terra

O Evento Carrington, registrado em setembro de 1859, provocou faíscas e incêndios em equipamentos de telégrafo ao redor do mundo. Especialistas alertam que um fenômeno do mesmo porte hoje poderia custar trilhões de dólares e deixar milhões sem energia.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine o céu brilhando como aurora até o Caribe

Na noite de 1º para 2 de setembro de 1859, pessoas no Caribe — bem longe dos polos — viram o céu se iluminar como se fosse a aurora boreal. Foi o auge do que ficou conhecido como Evento Carrington, a maior tempestade geomagnética já registrada na história, segundo o Olhar Digital e o Space.com.

O nome vem do astrônomo amador britânico Richard Carrington, que observava manchas solares em 1º de setembro quando foi surpreendido por um clarão branco intenso no Sol, durando cerca de cinco minutos — o que hoje se entende como uma explosão solar seguida de uma ejeção de massa coronal (CME), de acordo com o Space.com.

O que é fato confirmado

O registro histórico é consistente entre as fontes: a nuvem de partículas solares levou cerca de 17,6 horas para atravessar os mais de 90 milhões de milhas entre o Sol e a Terra, uma velocidade muito maior que a média de uma CME comum, que normalmente leva dias, conforme o Space.com.

Ao chegar, a tempestade sobrecarregou a rede de telégrafos — a principal infraestrutura elétrica da época. Segundo o Olhar Digital, equipamentos em várias estações soltaram faíscas e pegaram fogo. Relatos de operadores de telégrafo, citados pelo Space.com, descrevem papel incendiado por faíscas saltando das máquinas e linhas que continuaram a transmitir mensagens mesmo desconectadas da fonte de energia, alimentadas pela corrente elétrica induzida pela tempestade vinda do espaço.

O que é estimativa, não fato observado

Aqui a conversa muda de registro histórico para modelagem de risco. A National Academies of Sciences estima que uma tempestade do porte do Evento Carrington, se ocorresse hoje, poderia gerar cerca de US$ 2 trilhões em danos, afetando telecomunicações, sistemas bancários, GPS e a rede elétrica — números citados em estudos levantados pela NOAA e por pesquisas associadas ao tema.

Estimativas de probabilidade também variam: registros de auroras históricas sugerem um intervalo médio de retorno de 150 anos para um evento desse porte (com faixa razoável entre 100 e 250 anos), enquanto cálculos mais recentes apontam uma chance de 2% a 12% de um fenômeno Carrington-like ocorrer na próxima década.

Por que isso importa pra infraestrutura de hoje

A diferença entre 1859 e agora é a dependência. A rede elétrica atual opera mais próxima da capacidade máxima do que em qualquer momento anterior, segundo análises compiladas pela NOAA, o que tornaria os efeitos de uma tempestade geomagnética intensa potencialmente mais disruptivos do que os distúrbios relativamente limitados de 1859. Correntes geomagnéticas induzidas podem gerar picos de tensão em linhas de transmissão e transformadores, com risco de apagões e danos a equipamentos elétricos.

O episódio de 1859 não é só curiosidade histórica: é o parâmetro que agências espaciais usam até hoje para calibrar o quão vulnerável está a civilização conectada — da rede elétrica aos cabos de internet submarinos — a um fenômeno que o Sol já provou ser capaz de produzir.

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