
Em recado à Tesla, Waymo diz que câmeras sozinhas não bastam
A Waymo publicou uma lista de 10 aprendizados após 200 milhões de milhas em direção totalmente autônoma, defendendo o uso combinado de câmeras, lidar e radar — um contraponto direto à aposta da Tesla em câmeras apenas, às vésperas do lançamento do Cybercab sem volante.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Waymo detalha 10 aprendizados de 200 milhões de milhas autônomas
A Waymo, subsidiária de carros autônomos da Alphabet, publicou em seu blog oficial uma lista com dez aprendizados extraídos de mais de 200 milhões de milhas rodadas em modo totalmente autônomo (sem motorista de segurança). O texto foi assinado por Srikanth Thirumalai, responsável por fundamentos de IA da empresa, e rapidamente foi lido pelo mercado como uma resposta indireta à Tesla.
"Câmeras são incríveis, mas não bastam"
Foto: reprodução/insideevs.com
A frase central do post é direta: "Cameras are incredible, but they aren't enough" (câmeras são incríveis, mas não bastam). Thirumalai argumenta que, depois de mais de 200 milhões de milhas em operação real, os dados mostram que segurança em escala exige mais do que apenas câmeras — é preciso combinar câmeras, lidar e radar para criar uma visão de mundo redundante que nenhum sensor isolado consegue replicar sozinho.
O recado, embora não cite a Tesla nominalmente, mira diretamente a filosofia de Elon Musk, que aposta exclusivamente em câmeras e já chamou o lidar de "perda de tempo" (fool's errand). Para efeito de comparação, a van Ojai, veículo mais recente da frota Waymo, usa 13 câmeras, 4 unidades de lidar e 6 radares, além de microfones.
"Falso topo" da autonomia
Foto: reprodução/waymo.com
Outro trecho do post ataca a estratégia de evoluir sistemas assistivos (nível 2, o L2) até chegar à autonomia plena. Segundo Thirumalai, "simplesmente melhorar um sistema de assistência ao motorista (L2) para chegar à autonomia plena é um falso topo" — um sistema autônomo só amadurece de verdade quando se torna o único responsável pela direção, o que expõe falhas que humanos ou simulações tendem a mascarar.
O timing não é acaso
A publicação chega no momento em que a Tesla se prepara para lançar oficialmente o Cybercab, robotáxi sem volante e sem pedais, reforçando a aposta da montadora em câmeras e inteligência artificial para dispensar qualquer intervenção humana. A Waymo, líder atual do setor de robotáxis nos EUA, usa o post para reforçar publicamente por que optou por um conjunto redundante de sensores em vez de depender só de câmeras.
A rivalidade entre as duas empresas já é histórica: enquanto a Waymo opera comercialmente em cidades como Phoenix, São Francisco e Los Angeles há anos com motorista de segurança removido, a Tesla ainda testa seu robotáxi em fase mais inicial, com holofotes sobre a ausência de lidar no design do Cybercab.