tech & talk
MercadoIA23 de set. de 2026, 20:56

Ema capta US$ 77 mi e valuation quadruplica com IA que substitui SaaS

Startup que usa times de agentes de IA para automatizar RH, TI e finanças chega a US$ 140 milhões captados no total, com Google e Microsoft na carteira de clientes.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 77 milhões e valuation quadruplicada

A Ema, startup que despacha times de agentes de IA para automatizar processos de RH, TI e finanças dentro das empresas, fechou uma rodada Série B de US$ 77 milhões. Com o aporte, o total captado pela companhia chega a US$ 140 milhões, e a valuation — não divulgada publicamente — mais que quadruplicou em relação à última rodada, de 2024. A rodada foi 100% equity primário, sem dívida e sem transação secundária, o que costuma indicar apetite de investidor novo entrando limpo, sem comprar posição de quem já estava na mesa.

Quem bancou a aposta

A liderança ficou com a Creaegis, gestora de Bengaluru, enquanto Accel, Section 32 e Prosus — todos já investidores anteriores — aumentaram posição. É um sinal clássico de convicção: quando quem já conhece os números da empresa por dentro decide dobrar a aposta, o mercado lê como validação mais forte do que a entrada de um nome novo sozinho.

Os números que sustentam a tese

A Ema soma hoje mais de 50 clientes corporativos ativos, entre eles nomes pesados como Google, Microsoft, PwC, KPMG, ADP, NTT DATA, Hitachi e Wipro. A base de usuários corporativos ativos passa de 1 milhão, com mais de 5 milhões de ações e consultas processadas pela plataforma. A receita cresceu 50 vezes nos últimos dois anos, os bookings já superam US$ 150 milhões em contratos plurianuais, a margem bruta gira em torno de 80% e a retenção líquida em dólares (NDR) está perto de 180% — indicador de que clientes existentes estão expandindo consumo, não só renovando.

Quem ganha e quem perde

O pitch da Ema, fundada em 2023 por Surojit Chatterjee (ex-Google e ex-Coinbase) e Souvik Sen (ex-Okta), é vender agentes que operam por cima de sistemas corporativos já existentes, automatizando fluxos de trabalho inteiros em vez de vender só mais um assento de software. É exatamente o movimento que preocupa incumbentes de SaaS e prestadoras de serviços de TI: se a IA consegue fazer o trabalho que hoje é terceirizado ou licenciado por assinatura, o orçamento de tecnologia migra para quem entrega o agente, não para quem vende a ferramenta. Com quase 200 funcionários entre Mountain View, Bengaluru, Londres e Vancouver, a empresa vai usar o novo caixa para acelerar vendas e marketing e expandir para Ásia-Pacífico, América do Sul e Oriente Médio no próximo ano — mercados onde a disputa por esse orçamento corporativo ainda está em aberto.

emainteligência artificialventure capitalagentes de iaenterprise software
Compartilhar