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MercadoGadgets23 de out. de 2026, 09:34Atualizada em 23 de out. de 2026, 21:47

Embarques de PC caem 21% no trimestre com disparada do preço da RAM

Levantamento da Counterpoint Research mostra queda de 21% nos embarques globais de PCs no terceiro trimestre de 2026, puxada pela alta nos preços de memória RAM. Smartphones sofreram impacto parecido no mesmo período, segundo a Omdia.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Foram 21% a menos de PCs embarcados no mundo todo entre julho e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O dado é da Counterpoint Research, consultoria especializada em mercado de tecnologia, e aponta a disparada no preço da memória RAM como principal culpada pela retração: o setor saiu de mais de 70 milhões de unidades no terceiro trimestre de 2025 para 57 milhões agora.

Memória cara pesa no preço final

Segundo a Counterpoint, componentes de memória e armazenamento já representam quase 40% do custo de fabricação de um PC, ante uma média histórica de 15%. A escalada tem uma origem clara: desde 2025, a demanda disparada por memória de alta performance para data centers de inteligência artificial vem disputando espaço com a produção voltada a computadores e celulares de consumo, encarecendo RAM, SSDs e também chips da Intel, AMD e Qualcomm.

Foto: reprodução/engadget.com

A IDC, outra consultoria do setor, chegou a um número parecido — queda de 20,1% nos embarques globais de PCs no trimestre —, o que reforça que o problema não é um recorte isolado de uma única fonte. A Counterpoint ainda projeta um tombo ainda maior no quarto trimestre, de 27% ano a ano, sinal de que o aperto na cadeia de memória está longe de arrefecer.

Quem sofre mais, quem escapa

O estrago não foi parelho entre fabricantes. HP teve queda de 31% nos embarques, Dell caiu 25% e Lenovo, líder do mercado, recuou 23%. Do outro lado, a Apple conseguiu conter a sangria com uma retração de apenas 11% e ainda ganhou participação de mercado, enquanto a ASUS teve a menor queda entre as grandes marcas, de 7%.

O efeito dominó também chegou aos smartphones: segundo a Omdia, consultoria de pesquisa de mercado tecnológico, os embarques globais do setor caíram 20% no mesmo trimestre, com a IDC apontando queda ainda maior, de 22%. A Omdia estima que os custos de memória subiram cerca de 350% desde o ano passado, pressionando margens e forçando fabricantes a recuar justamente nos aparelhos de entrada, mais dependentes de componentes baratos. Resultado: marcas premium como Samsung e Apple, que já respondem por 45% dos smartphones embarcados globalmente, ganham fôlego relativo enquanto concorrentes voltados ao público de menor renda apanham mais. A própria Omdia não vê alívio significativo nos preços de memória antes de 2028.


Atualização (23/10, 21:47): Atualização (24/10/2026): o mesmo levantamento da Counterpoint Research que apontou a queda de 21% nos embarques globais de PC no terceiro trimestre de 2026 (57 milhões de unidades, contra 72 milhões no mesmo período de 2025) agora projeta um cenário ainda pior para o trimestre seguinte: uma retração de 27% nos embarques do quarto trimestre.

O motivo é o mesmo já identificado — o custo de componentes de memória e armazenamento disparou ao longo de 2026, com um módulo DDR4 SODIMM de 8 GB chegando a ficar 110% mais caro e um SSD NVMe de 1 TB, 126% mais caro, pressionando o preço final de notebooks e mini PCs.

Há, porém, divergência sobre quando a crise termina: enquanto a Counterpoint Research prevê estabilização dos preços entre o final de 2026 e o início de 2027, executivos da Micron afirmam que a situação deve continuar se deteriorando até meados de 2028 — um horizonte bem mais longo do que o inicialmente estimado.

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