
Empirik sai da Sequoia com US$ 21 mi para prever apagões de TI
Startup incubada pela Sequoia Capital capta US$ 21 milhões em rodada seed para virar empresa independente e usar IA para prever falhas de infraestrutura antes que aconteçam. Ferramenta mira SREs e times de DevOps de grandes companhias.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 21 milhões para virar "fiscal" autônomo da infraestrutura
A Empirik anunciou nesta terça-feira (1º) uma rodada seed de US$ 21 milhões liderada pela Sequoia Capital, com participação da Canapi e da Alumni Ventures. O aporte marca o momento em que a startup deixa de ser um projeto interno da Sequoia — onde foi incubada em 2023 — para operar como empresa independente.
A empresa promete resolver um problema crônico de equipes de TI: prever interrupções de sistemas antes que elas derrubem serviços. A ferramenta rastreia mudanças feitas na infraestrutura e infere os efeitos em cascata que cada alteração pode causar em outras partes do sistema. Na prática, funciona como um "fiscal de trânsito" autônomo: libera automaticamente mudanças de baixo risco, impõe barreiras de segurança para alterações maiores e escala para revisão humana apenas os casos mais perigosos.
Quem está por trás e quem já usa
A Empirik nasceu de uma dor pessoal de Avon Puri, cofundador e ex-diretor de informação e digital da Sequoia, que antes passou mais de uma década cuidando de infraestrutura na Rubrik e na VMware. Ele criou a empresa ao lado de Sudheer Dhurjati, também com histórico em TI da Sequoia. Para comandar a operação como CEO, a gestora recrutou neste ano Kartik Chandrayana, ex-chief product officer da Quantum Metric e ex-vice-presidente de observabilidade do Salesforce.
Entre os clientes já citados publicamente estão a S&P Global, a Guardant Health e uma empresa do setor de bens de consumo embalados. O público-alvo declarado são equipes de DevOps, engenheiros de confiabilidade de sites (SREs) e companhias de grande porte, do tipo Fortune 500.
Mercado de observabilidade fica mais disputado
O aporte reforça o apetite de investidores por ferramentas de IA aplicadas à infraestrutura de TI, um mercado que ganhou tração com o avanço de sistemas cada vez mais complexos e distribuídos, onde uma única mudança de configuração pode gerar efeito dominó em produtos inteiros. A Empirik entra em um campo já disputado por startups como a Resolve e a Traversal — esta última, curiosamente, também apoiada pela Sequoia, o que evidencia a aposta da gestora em múltiplas frentes do setor.
Com a saída da incubação e o novo capital, a Empirik agora precisa provar que consegue escalar além dos primeiros clientes-âncora e se diferenciar de ferramentas tradicionais de monitoramento, que normalmente alertam sobre problemas depois que já ocorreram — não antes.