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Ciência26 de ago. de 2026, 23:14

Empresa de Seattle simula 15 mil anos de vento solar na Lua em 4 horas

A Interlune replicou em laboratório o efeito de milênios de bombardeio de vento solar sobre o solo lunar, acelerando o processo cerca de 32 milhões de vezes. O teste mira a futura extração de hélio-3.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine o vento solar — um fluxo constante de partículas carregadas vindas do Sol — batendo sem parar na superfície da Lua, sem atmosfera nem campo magnético para barrá-lo. Ao longo de milênios, isso implanta elementos raros no solo lunar. Reproduzir 15 mil anos desse bombardeio levaria, na Lua, exatamente 15 mil anos. A empresa Interlune, sediada em Seattle, fez isso em laboratório em cerca de 4 horas.

O que é confirmado

Segundo comunicado da própria empresa, a equipe implantou e depois extraiu hélio de um simulante de regolito lunar (solo artificial que imita o pó da Lua) dentro de uma câmara de vácuo, reproduzindo com sucesso os mesmos resultados observados em amostras reais trazidas pelas missões Apollo. A técnica consistiu em encher a câmara com gás hélio, gerar um plasma de íons e acelerar esses íons de hélio contra o simulante, em energias equivalentes às do vento solar real. O processo completo — que na Lua levaria milênios — durou cerca de 4 horas, uma aceleração estimada em 32 milhões de vezes.

O hélio liberado do simulante saiu em temperaturas entre 300°C e 800°C, faixa consistente com o que já havia sido medido em amostras trazidas pela Apollo. O objetivo declarado é ter regolito "pré-carregado" com hélio para testar equipamentos de extração na Terra, sem depender das raras amostras lunares reais. O projeto contou com apoio da Texas Space Commission, com verba de até US$ 4,84 milhões.

A Interlune — fundada em 2020 pelo ex-astronauta da Apollo 17 Harrison Schmitt e pelo ex-presidente da Blue Origin Rob Meyerson — já recebeu da NASA um contrato de US$ 6,9 milhões para desenvolver um sistema de extração de hélio-3 e hidrogênio do solo lunar, além de um pedido do Departamento de Energia dos EUA para comprar três litros de hélio-3 extraído da Lua, com entrega prevista até abril de 2029.

O que é hipótese

O hélio-3 é cobiçado por aplicações que incluem computação quântica, imagem médica, detecção de nêutrons e, no horizonte mais especulativo, fusão nuclear comercial — mas nenhuma dessas aplicações em escala depende hoje de hélio-3 lunar, e a viabilidade econômica de extrair o recurso da Lua ainda não foi demonstrada. O sistema de extração completo ainda não foi testado na Lua: o plano da empresa é lançar hardware real via um lander comercial robótico, com data estimada para 2028.

Por que isso importa

É um passo de engenharia terrestre, não uma mineração lunar em andamento. Mas é o tipo de teste que precisa dar certo em laboratório antes de qualquer equipamento pisar na Lua.

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